Petição de apoio a Volksvargas
Para: Presidência do Conselho de Ministros
O texto sobre a “venda dos Açores a Trump” é humor político. Uma sátira clara, inteligível para qualquer leitor minimamente atento, que não fala de uma venda literal de território, mas daquilo que muitos portugueses reconhecem há anos: a venda informal do país, feita através da subserviência política, diplomática e estratégica aos interesses dos Estados Unidos — em particular ao trumpismo enquanto símbolo desse poder.
Transformar uma sátira numa alegada agressão pessoal é uma manobra clássica: fugir ao debate político, vestir o papel de vítima e tentar deslegitimar a crítica pelo drama, não pelos argumentos. Montenegro não responde ao conteúdo da sátira porque isso obrigaria a falar do essencial: da postura acrítica, submissa e pouco soberana que Portugal tem assumido em determinados contextos internacionais.
O humor, desde sempre, serve para expor verdades incómodas. Não acusa crimes, não inventa factos — revela comportamentos. E o comportamento satirizado é bem conhecido: a facilidade com que se alinham discursos, decisões e silêncios quando o poder vem de fora, mesmo que isso reduza o país a figurante obediente no palco geopolítico.
Fazer-se de vítima por causa de uma sátira é sinal de fragilidade política, não de injustiça sofrida. Quem governa — ou aspira governar — tem de saber lidar com crítica, ironia e escrutínio. A democracia não é um espaço esterilizado onde só cabe elogio; é um território vivo onde o humor também é arma cívica.
Os Açores não estão à venda.
Mas a dignidade política não pode estar em saldo permanente.
Eu, abaixo assinado manifesto o meu completo apoio a Volksvargas: