ACESSOS A LISBOA - Av Marginal
Para: IMT; Camaras Municipais de Cascais, Oeiras e Lisboa; ViaVerde.
Exmos. Senhores,
Venho, por este meio, manifestar o meu profundo desagrado face às precárias condições de acesso rodoviário à cidade de Lisboa para os cidadãos que residem na periferia, associadas ao recente aumento das portagens, num contexto em que não existem alternativas viáveis e eficazes de circulação sem custos acrescidos.
Atualmente, para muitos cidadãos, a Avenida Marginal constitui a única alternativa de acesso ao centro da cidade sem recurso a autoestradas com portagem. No entanto, esta via apresenta um conjunto de problemas que compromete, seriamente, a fluidez do trânsito, a segurança rodoviária e a pontualidade dos trabalhadores.
Em primeiro lugar, a redução da velocidade máxima permitida para 50 km/h, aliada à existência de inúmeros semáforos ao longo do percurso supramencionado, torna a circulação deveras lenta, sobretudo em horas de ponta. Esta situação agrava, significativamente, os tempos de deslocação, sem que exista, conforme exposto acima, uma alternativa aceitável.
Em segundo lugar, a Avenida Marginal encontra-se em más condições em vários troços, apresentando-se o pavimento degradado e sem qualquer manutenção, há anos. Isto, obviamente, afeta o conforto e a segurança dos utilizadores, os quais pagam impostos de circulação bastante pesados. Acresce que, sempre que ocorre precipitação, o que se verifica durante a maioria dos meses de inverno, a via da direita torna-se inutilizável, devido à acumulação de grandes quantidades de água, que chegam a ocupar mais de metade da mesma, impedindo a circulação normal dos veículos.
Adicionalmente, é recorrente a circulação de ciclistas na Avenida Marginal, durante as horas de maior tráfego, o que, não sendo devidamente acautelado ou regulado, contribui para o aumento do congestionamento e potencia situações de risco. A esta realidade soma-se, ainda, a presença frequente de viaturas de limpeza e manutenção da estrada em plena hora de ponta, as quais bloqueiam faixas de rodagem e provocam atrasos significativos nas deslocações para os locais de trabalho.
Face ao exposto acima, torna-se evidente a inexistência de condições adequadas de acesso a Lisboa sem recurso ao pagamento de portagens. Ainda assim, foi autorizado um aumento das mesmas, o que se revela incompreensível e profundamente penalizador para os cidadãos, especialmente quando não são criadas alternativas viáveis.
Na minha perspetiva, e considerando que não existem opções realistas para quem necessita de se deslocar diariamente para Lisboa, as portagens não deveriam sequer existir nestes eixos, à semelhança do que já foi implementado noutras zonas do país. Não considero aceitável exigir ainda mais encargos aos portugueses, sem que sejam garantidas soluções de mobilidade eficientes, seguras e acessíveis.
Desta forma, solicito que esta situação seja analisada com a devida seriedade e que sejam tomadas medidas, de forma a garantir justiça, equidade e qualidade de vida aos utilizadores das vias rodoviárias.