Tomada de posição cívica - Pela eleição de um Presidente da República com experiência, decência e sentido de Estado
Para: Eleitores - Eleições Presidenciais
Preâmbulo
Encontro-me afastado da política ativa há vários anos e pretendo manter-me como tal. Não intervenho por hábito, por disciplina partidária ou por cálculo político. Faço-o agora por exceção e por dever cívico, por entender que há momentos em que a neutralidade deixa de ser virtude e o silêncio se aproxima perigosamente da complacência. As eleições presidenciais são um desses momentos. Quando estão em causa a qualidade da democracia, a dignidade das instituições e o perfil de quem exercerá a magistratura suprema do Estado, impõe-se uma tomada de posição clara, responsável e fundamentada
Objeto da tomada de posição
Escrevo esta declaração em nome pessoal e de forma inequívoca: vou votar em Luís Marques Mendes nas próximas eleições presidenciais, por acreditar que Portugal precisa, neste momento histórico, de experiência, moderação, previsibilidade institucional e sentido de Estado — qualidades que considero reunidas na sua candidatura à Presidência da República.
Valores e coerência democrática
A minha escolha não é circunstancial nem oportunista. Assenta num percurso coerente de valores e princípios. Tal como, há cerca de trinta anos, votei em Mário Soares e não em Freitas do Amaral — não por razões partidárias, mas por convicção democrática — volto hoje a fazer uma escolha orientada pelo mesmo critério essencial: a defesa intransigente da democracia pluralista, da moderação institucional, da centralidade do Estado de direito e da decência no exercício do poder.
Não se trata de esquerda contra direita. Trata-se de valores. Trata-se de saber quem está em condições de representar todos, de arbitrar conflitos com elevação e de preservar a estabilidade institucional num contexto político e internacional cada vez mais exigente.
Voto em Luís Marques Mendes porque representa um perfil presidencial que não vive de impulsos, nem de ziguezagues oportunistas, nem da exploração do ruído político-mediático. A Presidência da República não é um palco para campanhas permanentes nem um laboratório de experiências ideológicas: é um órgão de soberania que exige ponderação, memória institucional e capacidade de arbitragem democrática.
Subscrevo integralmente uma posição que tem sido expressa no espaço público e que considero exemplar na sua clareza moral: esta já não é uma discussão de esquerda ou de direita, mas uma questão de carácter, de valores democráticos e de decência cívica. Existe uma direita democrática, responsável e plenamente comprometida com o Estado de direito — tal como existe uma esquerda democrática e responsável — que rejeita e abomina políticos da estirpe de Donald Trump. Admirar Donald Trump deixou há muito de ser uma posição política legítima para se tornar um traço de carácter profundamente revelador. E a esse modelo acrescento, sem hesitação, André Ventura. Depois de tudo o que é público — da degradação moral à normalização da mentira, da violência simbólica e da irresponsabilidade institucional — continuar a admirar este modelo é incompatível com uma democracia saudável e não pode ser relativizado nem desculpado por alinhamentos ideológicos; revela uma degradação ética e moral comparável à daquele que se admira, traduz uma falência ética profunda em quem o sustenta e constitui um sinal inequívoco de desumanização moral.
E, em Portugal, não quero sequer imaginar um país que tenha como mais alto magistrado um populista como André Ventura. O populismo não resolve problemas: explora-os, simplifica-os até à caricatura e, no processo, corrói as instituições que garantem a nossa liberdade. Não se trata de mera discordância política; trata-se de recusar a normalização do extremismo, da agressividade permanente e da política como espetáculo
Também por isso valorizo o facto de Luís Marques Mendes não ser um “cata-vento”. O tempo desses rótulos simplistas já passou. Num contexto em que surgem candidaturas marcadas por incoerência estratégica e mudanças bruscas de posição, é essencial distinguir quem faz campanhas de quem sabe governar e decidir. A coerência, a estabilidade e a decência não são fraquezas: são virtudes presidenciais.
O melhor candidato nem sempre é o melhor Presidente da República. Um bom Presidente não vive de slogans, nem de vídeos virais, nem de gestos oportunistas. Vive da confiança que inspira, da consistência do seu percurso e da capacidade de representar todos — inclusive quando isso exige dizer “não”, com serenidade e firmeza.
Num mundo instável, com tensões internacionais crescentes e uma democracia sob pressão, Portugal precisa de um Presidente capaz de descomprimir o conflito político, promover o diálogo e defender a estabilidade institucional, exercendo os seus poderes constitucionais com responsabilidade, contenção e firmeza quando a defesa da Constituição o exige.
É por tudo isto que voto em Luís Marques Mendes.
Por convicção. Por responsabilidade. E por respeito pela democracia.
Nuno Albuquerque
Subscrição
Esta declaração é aberta à subscrição de todos que se revejam nos princípios aqui enunciados.
Quem quiser apoiar poderá subscrevê-la através do link público disponibilizado para o efeito, associando livremente o seu nome a esta tomada de posição cívica.
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Assinaram a petição
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Pessoas
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