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Reconhecimento e Dignificação Formal da Carreira de Treinador (Formação e Escalões Secundários) em Portugal

Para: Fórum Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF) 2026; ANTF; IPDJ; Governos Central e Regionais

A profissão de treinador em Portugal, em particular nos contextos da formação e dos escalões secundários, encontra-se marcada por elevados níveis de precariedade laboral, instabilidade contratual e ausência de reconhecimento formal no ordenamento jurídico:

- De acordo com dados do Observatório do Futebol (CIES, 2023), cerca de 88,9% dos treinadores em Portugal permanecem menos de um ano nos seus cargos, evidenciando uma realidade estrutural de instabilidade e fragilidade profissional.
- A própria Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) reconheceram publicamente a necessidade de dignificar e regulamentar a carreira de treinador. Nesse sentido, o Presidente da Liga, Pedro Proença, afirmou ser “urgente uma discussão conjunta, mas sobretudo uma ação conjunta” sobre esta matéria, como também defende a necessidade de reconhecer a carreira de treinador (Diário de Notícias, 2022).
- Também o Presidente da Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF), Henrique Calisto, reconheceu a existência de um “grande défice na formação de treinadores” e a necessidade urgente de alinhar os requisitos laborais e formativos entre o IPDJ (Instituto Português do Desporto e Juventude) e a UEFA, alertando para a precariedade vivida, em especial, pelos treinadores de formação e dos escalões secundários (FPF, 2023 & News Reader, 2025).
- Estudos académicos e artigos especializados (RCAAP, 2023; Futebol de Formação) demonstram que cerca de metade dos treinadores de formação não possui qualquer vínculo laboral formal, sendo frequente a existência de remunerações mensais entre 50€ e 150€, valores manifestamente incompatíveis com o exercício digno e profissional da função.
- O futebol português é hoje uma indústria económica de grande relevância, tendo ultrapassado pela primeira vez 1.000 milhões de euros em receitas agregadas na época 2023/24, segundo o Anuário do Futebol Profissional Português (EY/Liga Portugal), confirmando o seu peso estrutural no desporto nacional (RTP, 2025).
- Neste contexto, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) afirma-se como a federação desportiva com maior capacidade financeira do país. No seu mais recente Relatório de Atividades e Contas, a FPF registou receitas superiores a 131 milhões de euros e um resultado líquido positivo de 3,397 milhões de euros, o melhor de sempre na sua história, impulsionado sobretudo por receitas comerciais, televisivas, formativas e prémios associados às seleções nacionais (FPF,2025).
- A FPF encontra-se igualmente entre as federações europeias mais sólidas em valor federado e beneficia de receitas extraordinárias provenientes da FIFA e da UEFA, estando já previsto um encaixe financeiro muito significativo no próximo Campeonato do Mundo, cerca de 800 milhões de euros. Para a época 2025/26, o orçamento projetado situa-se entre 143 e 146 milhões de euros, reforçando a dimensão económica da instituição (Recorde, 2025).
- Ao nível da despesa e investimento, a Federação investiu +15 +2,3 +30 milhões de euros para fundos operacionais e infraestruturais, como mais 22 milhões de euros destinados ao futebol feminino e 6,66 milhões de euros provenientes da UEFA para apoio a 30 clubes das ligas profissionais, focados na formação e melhoria de condições. (FPF & Diário de Noticias, 2025) Estão ainda previstos mais 30 milhões de euros em investimento adicional e cerca de 1 milhão de euros para órgãos estatutários, totalizando um volume global de despesa superior a 140 milhões de euros (Diário de Coimbra, 2025).
- Estes profissionais, frequentemente remunerados em torno dos 200 euros mensais ilíquidos, continuam a ser responsáveis pela formação do talento que sustenta o modelo económico do futebol português, alimenta o mercado internacional de transferências, multiplica o valor dos ativos desportivos nacionais e eleva o desempenho da Seleção Nacional e a reputação internacional do futebol português, como reconhecido pelas análises económicas do setor (RTP, 2025)
- É neste quadro de robustez financeira que se torna legítima a exigência de prestação de contas e escrutínio democrático, compatíveis com uma indústria multimilionária e uma federação milionária. A crítica central reside no facto de estes valores refletirem uma elite financeira bem estruturada, enquanto a base do futebol português — nomeadamente os treinadores de formação e dos escalões secundários — permanece desvalorizada, apesar de desempenhar um papel determinante.

Esta realidade dos treinadores, contraria princípios fundamentais como o reconhecimento da função, a segurança no trabalho, a valorização profissional e a dignidade humana, pilares essenciais para um desenvolvimento desportivo nacional sustentável, ético e de qualidade.

Nestes termos, os subscritores da presente petição propõem que o Fórum ANTF 2026 delibere e recomende:
1. A defesa pública, por parte da ANTF, do reconhecimento formal da carreira de treinador no ordenamento jurídico português;
2. A promoção, junto da FPF e das entidades governamentais competentes, designadamente os Governos, IPDJ e o Ministério do Trabalho, de uma revisão legislativa urgente que regulamente o exercício da profissão de treinador em todos os níveis competitivos;
3. A criação de um Grupo de Trabalho interinstitucional (ANTF, FPF, sindicatos, associações distritais e outras entidades relevantes), com mandato para apresentar, até ao final de 2026, um plano de dignificação profissional, incluindo critérios de:
* Remuneração mínima digna;
* Estabilidade contratual;
* Progressão estruturada na carreira;
4. Que a ANTF assuma como prioridade estratégica a proteção dos treinadores de formação e escalões secundários, reconhecendo o seu papel essencial na formação desportiva, humana e social dos atletas e dos futuros cidadãos.

A dignificação da profissão de treinador é uma condição indispensável para a qualidade do desporto português.Por um enquadramento justo, humano e profissional da carreira de treinador em Portugal. Sem censura. Subscreva esta petição.

Pedro Valério Drumond de Sousa
Treinador de Futebol/ Sócio ANTF
Data: 22/11/2026



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Esta petição foi criada em 09 janeiro 2026
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