Pela Suspensão Imediata das Obras e Apresentação Pública do Projeto Hoteleiro na Falésia do Vale do Olival, Armação de Pêra
Para: residentes, proprietários, comerciantes e visitantes de Armação de Pêra
Nós, residentes, proprietários, comerciantes e visitantes de Armação de Pêra, vimos por este meio manifestar a nossa profunda preocupação perante o avanço das obras de construção de um novo empreendimento hoteleiro de grande dimensão no topo da falésia do Vale do Olival.
1. Um território já fragilizado por décadas de decisões urbanísticas precipitadas
Armação de Pêra tem sido, ao longo das últimas décadas, um exemplo de como o crescimento urbano pode ocorrer de forma desordenada, apressada e frequentemente desligada do interesse público. Foram construídos edifícios demasiado altos, demasiado próximos e em número excessivo, sacrificando a paisagem natural e reduzindo progressivamente a qualidade de vida de residentes e visitantes.
O resultado é visível: ruas congestionadas, estacionamento insuficiente, quase inexistência de espaços verdes, pressão constante sobre as infraestruturas e uma praia que, no pico do verão, já não consegue acolher todos os que a procuram. Numa vila que deveria equilibrar turismo, bem-estar e património natural, os sinais de saturação urbana são hoje impossíveis de ignorar.
2. A falésia: património natural sensível e não renovável
O local onde se pretende erguer um hotel de quatro estrelas, com 250 unidades de alojamento e capacidade para cerca de 500 utentes, situa-se numa falésia que representa um dos elementos mais emblemáticos da paisagem de Armação de Pêra. Esta zona:
está sujeita a processos naturais de erosão;
é altamente vulnerável aos impactos das alterações climáticas;
constitui um recurso natural não renovável, cuja degradação é irreversível;
funciona como elemento identitário e atrativo fundamental da vila.
A construção de um empreendimento desta escala sobre uma estrutura geológica frágil representa um risco ambiental, estrutural e de segurança para futuras gerações.
3. Um projeto aprovado sem debate público suficiente
Sabemos que o projeto obteve pareceres favoráveis das entidades competentes e que o licenciamento foi emitido ao abrigo do Plano de Pormenor de Armação de Pêra. No entanto, isso não significa que tenha existido uma discussão transparente, participada ou adequada com a comunidade local.
Perante a dimensão e o impacto do projeto — estimado em 50 milhões de euros, com cave, piscinas interiores e exteriores, áreas técnicas e capacidade para gerar alterações significativas no trânsito, mobilidade, estacionamento e paisagem — consideramos inaceitável que os residentes e os utilizadores regulares da vila não tenham sido devidamente informados nem envolvidos no processo.
4. O que está em causa
Além da destruição potencial da falésia e da alteração irreversível da paisagem, este projeto levanta questões sérias:
Aumento da pressão sobre infraestruturas já saturadas
(abastecimento de água, saneamento, recolha de resíduos, vias rodoviárias).
Risco de instabilidade da falésia, cujo comportamento tem sido alvo de alertas e deslizamentos ao longo dos anos.
Sobrecarga da praia do Vale do Olival, uma das mais pressionadas do concelho.
Perda de valor ambiental e turístico a médio e longo prazo, em troca de benefícios económicos imediatos.
Ausência de um debate público claro e acessível, que permita à população compreender plenamente o projeto e as suas consequências.
5. O que solicitamos
Tendo em conta tudo o que está exposto, nós, abaixo-assinados, solicitamos à Câmara Municipal de Silves e demais entidades competentes:
A suspensão imediata dos trabalhos de construção no topo da falésia do Vale do Olival até que sejam prestados todos os esclarecimentos públicos.
A realização urgente de uma sessão pública, aberta a residentes, proprietários e visitantes, para apresentação e explicação detalhada do projeto.
A divulgação integral e acessível da documentação técnica, estudos de impacto, pareceres e condicionantes relacionados com a obra.
A avaliação independente e atualizada do estado geológico da falésia e dos riscos associados à construção.
A consideração de alternativas que privilegiem a reabilitação urbana, a proteção do património natural e a sustentabilidade.
6. Pelo futuro de Armação de Pêra
Armação de Pêra merece um futuro construído com visão, responsabilidade e respeito pelos seus habitantes e pelo ambiente. As decisões que tomarmos hoje determinarão a vila que deixaremos às gerações futuras.
Pedimos, por isso, que este processo seja pausado e reavaliado com transparência, rigor e participação cívica.
PÉTITION – SAUVONS LA FALAISE D’ARMAÇÃO DE PÊRA
Nous, habitants et amoureux d’Armação de Pêra, refusons de voir notre falaise — un trésor naturel fragile et irremplaçable — sacrifiée à un nouvel hôtel immense.
Depuis des années, la ville souffre d’un urbanisme excessif qui étouffe ses rues, dénature son paysage et réduit la qualité de vie. Construire un complexe de 250 chambres au sommet d’une falaise érodée et vulnérable est un risque grave et un choix irresponsable.
Nous demandons :
L’arrêt immédiat des travaux.
La présentation publique du projet.
Une évaluation indépendante des risques géologiques.
Protégeons Armação de Pêra avant qu’il ne soit trop tard.
PETITION – SAVE THE CLIFFS OF ARMAÇÃO DE PÊRA
We, residents and lovers of Armação de Pêra, cannot remain silent while our fragile, iconic cliff is threatened by yet another massive hotel development.
For decades, the town has suffered from rushed construction that has choked its streets, damaged its landscape, and drained its quality of life. Building a 250-room resort on a cliff marked by erosion and climate vulnerability is not progress — it is a permanent wound to our coastline.
We urgently call for:
Immediate suspension of construction.
A transparent public presentation of the project.
An independent geological risk assessment.
Armação de Pêra deserves protection, not irreversible harm.
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Assinaram a petição
901
Pessoas
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