Pela Remoção da Braçadeira de Capitão a Cristiano Ronaldo
Para: Federação Portuguesa de Futebol (FPF)
Nos últimos anos, Cristiano Ronaldo tornou-se não apenas uma figura central do futebol português, mas também um dos rostos mais mediáticos do desporto mundial. Essa visibilidade, porém, acarreta responsabilidades éticas e políticas que não podem ser ignoradas quando está em causa a representação oficial de Portugal.
É neste contexto que nós, abaixo-assinados, vimos solicitar que a Federação Portuguesa de Futebol retire a braçadeira de capitão a Cristiano Ronaldo, por entendermos que o seu papel actual é incompatível com a dignidade simbólica e política do posto.
1. Envolvimento directo em iniciativas de sportswashing
O regime saudita tem investido massivamente na aquisição de atletas de renome internacional com o objectivo claro de melhorar a sua imagem externa—num processo amplamente reconhecido como sportswashing. Enquanto figura principal da Liga Saudita e estrela global usada na promoção deste projecto, Cristiano Ronaldo serve, na prática, como o seu maior embaixador mediático. Esta ligação compromete a neutralidade, independência e valores que um capitão da selecção nacional deve representar.
2. Actuação como emissário informal do regime saudita
A recente visita de Cristiano Ronaldo à Casa Branca, na qual surgiu associado a mensagens e interesses que coincidem com os do governo saudita, reforça a percepção de que o jogador ultrapassou o papel de atleta e se tornou numa peça activa da diplomacia de imagem daquele regime. Um capitão da selecção nacional não pode acumular funções de representação de um Estado estrangeiro—menos ainda um Estado amplamente contestado por violações sistemáticas de direitos humanos.
3. Incompatibilidade com o papel institucional de capitão da selecção nacional
A braçadeira de capitão não é apenas um símbolo desportivo: é um cargo moral, representativo e cívico. Exige independência, elevação e neutralidade. Não pode ser usada por alguém cuja actividade pública e mediática serve, mesmo que involuntariamente, os interesses propagandísticos de um regime autoritário. O capitão deve unir o país, não expô-lo a constrangimentos diplomáticos nem a associações indesejáveis.