Petição Pública Logotipo
Ver Petição Apoie esta Petição. Assine e divulgue. O seu apoio é muito importante.

Pelo Fim da Contagem de Educação Física para a Média do Secundário – Avaliação Justa Já!

Para: Assembleia da República

A presente petição pretende defender uma mudança urgente e necessária no sistema de avaliação do ensino secundário em Portugal: a exclusão da disciplina de Educação Física (EF) do cálculo da média final de acesso ao ensino superior.

Esta reivindicação não pretende desvalorizar a importância da atividade física, nem o papel fundamental que a disciplina tem na promoção da saúde, do bem-estar e do desenvolvimento motor dos jovens. O que está em causa é a injustiça estrutural que resulta da actual forma de avaliação, profundamente desigual, subjetiva e desajustada face ao peso que tem no futuro académico dos estudantes.

1. Desigualdade entre escolas — diferentes condições, diferentes resultados

A Educação Física é, talvez, a disciplina mais desigual do sistema educativo português.
De escola para escola variam:
• A qualidade e variedade dos equipamentos;
• O estado dos ginásios e dos campos exteriores;
• O número de materiais disponíveis por aluno;
• A especialização e perfil do próprio professor;
• As turmas (algumas trabalham com metade dos recursos de outras).

Um aluno pode ter trampolins, aparelhos de ginástica completos, material moderno e espaços amplos; outro, noutra escola, pode ter apenas uma bola de voleibol e um pavilhão partilhado com várias turmas. A avaliação, por muito boa vontade que exista, nunca pode ser realmente equitativa num país com realidades tão diferentes.

Ora, se as condições de prática não são as mesmas, não faz sentido que o resultado tenha o mesmo impacto na média que determina o futuro académico de cada aluno.

2. A subjetividade da avaliação de “empenho”

Ao contrário das disciplinas teóricas, onde existe um critério objectivo (respostas certas ou erradas), em EF avaliam-se aspetos como:
• “empenho”;
• “atitude”;
• “espírito de equipa”;
• “evolução ao longo do período”;
• “participação”;
• “desempenho técnico”.

Tudo isto depende obrigatoriamente da interpretação pessoal de cada professor — que pode variar imenso, de docente para docente, de escola para escola, e até de turma para turma.

Uma nota de 18 numa escola pode equivaler a um 14 noutra.
Uma postura mais reservada pode ser entendida como “falta de empenho”.
Alunos com ansiedade social ou dificuldades motoras podem ser penalizados sem que isso refleta a sua verdadeira dedicação.

Num sistema de acesso ao ensino superior baseado em médias rigorosas ao décimo, esta instabilidade é inaceitável.

3. EF não mede competências académicas — mas afeta diretamente o futuro académico

A Educação Física mede:
• capacidades motoras;
• coordenação;
• resistência física;
• habilidades específicas em modalidades;
• características comportamentais.

Nenhuma destas competências tem relação com cursos como Direito, Medicina, Economia, Psicologia, Engenharia, Relações Internacionais, Arquitetura ou qualquer outra área de estudo.

Contudo, uma má nota a correr, lançar uma bola ou saltar um plinto pode retirar a um aluno a oportunidade de entrar no curso dos seus sonhos. Isto não só é absurdo — é injusto.

4. Discriminação implícita de alunos com limitações físicas, psicológicas ou emocionais

Mesmo com atestados, adaptações e diferenciação, a realidade é que:
• alunos com dificuldades motoras;
• alunos com baixa resistência física;
• alunos com maior ansiedade social;
• alunos com problemas emocionais que os impedem de performar sob pressão;

…acabam frequentemente penalizados.
E não porque não estudam, não trabalham ou não são dedicados — mas porque o seu corpo não lhes permite atingir determinados critérios físicos.

A escola não deve ser um local onde um aluno perde média por limitações não académicas e muitas vezes involuntárias.

5. Educar para a saúde não precisa de interferir com o acesso ao ensino superior

A disciplina pode (e deve) continuar a existir, continuar a ser obrigatória, avaliativa e incentivadora de estilos de vida saudáveis.
Mas não deve ter peso académico equivalente às disciplinas troncais e determinantes do percurso escolar.

Há alternativas equilibradas, como:
• manter Educação Física obrigatória, mas fora da média;
• ou transformar EF numa disciplina de frequência obrigatória mas avaliação qualitativa (Apto/Não Apto);
• ou integrá-la em projetos de promoção de saúde e bem-estar, sem impacto nas médias de ingresso.

6. O atual modelo não motiva — intimida

Em vez de promover hábitos saudáveis, o sistema atual:
• cria ansiedade e medo de avaliações físicas;
• leva alunos a evitarem modalidades que não dominam;
• faz da disciplina um foco de stress, quando deveria ser uma oportunidade para descontrair e aprender de forma prática.

A educação física deveria ser um espaço seguro, divertido e formativo — não uma ameaça à média final.


Conclusão

Pedir que a Educação Física saia do cálculo da média do secundário não é um ataque à disciplina, mas sim um pedido por justiça, rigor e equilíbrio na avaliação dos estudantes portugueses.

Queremos:
• um ensino mais justo;
• critérios mais uniformes;
• um acesso ao ensino superior baseado em capacidades realmente académicas;
• e um sistema que não prejudique os alunos por fatores totalmente alheios ao seu mérito escolar.

Por tudo isto, apelamos ao Ministério da Educação e ao Governo de Portugal que reformem imediatamente o estatuto da Educação Física, retirando-a do cálculo da média final do secundário.



Qual a sua opinião?

Esta petição foi criada em 16 novembro 2025
A actual petição encontra-se alojada no site Petição Publica que disponibiliza um serviço público gratuito para todos os Portugueses apoiarem as causas em que acreditam e criarem petições online. Caso tenha alguma questão ou sugestão para o autor da Petição poderá fazê-lo através do seguinte link Contactar Autor
Assinaram a petição
18 Pessoas

O seu apoio é muito importante. Apoie esta causa. Assine a Petição.