Pelo fim das más práticas do CROA Palmela e a relocalização do mesmo
Para: Exma. Sra. Presidente da Câmara Municipal de Palmela
Serve esta petição elaborada por dezenas de cuidadores de animais errantes do Concelho de Palmela para denunciar más práticas realizadas pelo CROA Palmela que têm colocado em risco o bem-estar animal e para exigir a relocalização das suas instalações em local seguro e digno.
Como se sabe, o espaço onde o CROA opera não possui condições para a permanência nem de animais nem de pessoas e muito menos para a realização de cirurgias ou internamentos. Trata-se de uma área no cimo de uma encosta onde estacionam veículos pesados de limpeza pública e urbana que libertam fumos nocivos e transportam materiais para aterros sanitários com odores tóxicos e nauseabundos. As instalações dos veterinários e funcionários são contentores. Não há espaço suficiente para internamentos (muitos animais ficam em transportadoras pequenas de contenção), a sala de cirurgia ficou inoperável após uma derrocada, as boxes dos cães não têm condições, não há espaço para passeá-los e o espaço exterior adjacente ao canil não tem abrigo do sol ou intempéries, o gatil é pequeno e após a derrocada não foi relocalizado. Os próprios cuidadores estão a ser obrigados a subir a pé a encosta (sem existência de acesso pedonal), o que faz com que cada vez menos pessoas consigam aceder a estes serviços.
Mesmo sem uma sala de cirurgias bem equipada, que é uma necessidade premente, continuam-se a praticar cirurgias, colocando em risco a vida dos animais. A falta de espaço faz com que os recobros dos animais que fazem CED, sejam apenas de 24h (na maioria dos casos). Foi instalado recentemente um equipamento de anestesia, mas não existe pessoal qualificado para o operar em segurança. Os veterinários não possuem condições mínimas aceitáveis para realizar o seu trabalho e há poucos funcionários com formação para auxiliar.
Em várias reuniões com o executivo anterior foram denunciadas situações de más práticas realizadas pelo segundo veterinário contratado e por alguns funcionários. Não aceitamos que sejam esterilizados no CROA Palmela animais sem que seja verificado o sexo do animal (aconteceu recentemente um caso e o animal acabou por falecer), também não aceitamos que os animais que levamos sejam alvos de represálias não sendo sequer tratados por existirem diferendos entre o veterinário em questão e os cuidadores. Não aceitamos que morram animais no CROA por falta de medicação. Não podemos aceitar as mortes devido ao uso de supercola 3 (ao invés de cola cirúrgica) no corte de esterilização de várias gatas de colónias (algumas não tinham sutura!), ou a realização de cirurgias em animais debilitados que acabam por se confirmar em óbitos. Temos provas de todos estes atos praticados pelo doutor. A maioria dos funcionários do CROA não tem formação adequada ao seu trabalho e os que têm acabam por sofrer de bullying psicológico tal como a doutora. Já houve bons funcionários que acabaram por se demitir ou pedir mobilidade interna. São gritantes alguns casos que atestam as fracas competências da maioria dos funcionários: não conseguem fazer capturas, devolvem os gatos após as esterilizações em colónias erradas, conduzem sob o efeito de álcool, maltratam os animais e/ou recusam-se a prestar-lhes assistência. A situação poderá piorar pois recentemente entrou em vigor o sistema de turnos, havendo turnos em que não está presente nenhum veterinário (que fazem o seu horário normal antigo) e, por conseguinte, ninguém para orientar medicações ou urgências, até porque o próprio encarregado raramente se encontra presente. A sua ausência e falta de interesse pelo bem-estar animal é palpável. A inexistência de protocolos com clínicas e hospitais veterinários torna o panorama mais complicado.
Há ainda a relatar as fracas competências humanas desta equipa que não comunica com os cuidadores, havendo casos de cuidadoras que só souberam das mortes dos animais das suas colónias vários dias depois (alguns dos animais já tinham até famílias adotivas).
Os animais errantes de Palmela sofrem na rua e sofrem no CROA, a entidade que os devia proteger, por isso exigimos uma reestruturação do CROA com substituição do segundo veterinário, caso recuse abandonar as más práticas que usa, uma equipa bem formada e um espaço digno e com condições aos quais os cuidadores possam ter acesso quando necessário.
Atentamente,
Grupo de cuidadores de animais errantes do concelho de Palmela