Por um ciclismo de pista inclusivo
Para: Presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo e restantes órgãos sociais
Nós, abaixo-assinados, ciclistas federados, praticantes de ciclismo, familiares, amigos e simpatizantes da modalidade, vimos por este meio apresentar uma reivindicação formal à Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC) com o objetivo de voltar a introduzir um calendário de provas de pista para as categoria masters e paraciclismo.
O ciclismo master é uma categoria em crescimento em Portugal, com um número significativo de praticantes que pautam por um estilo de vida ativo e saudável. Por outro lado, os paraciclistas são um exemplo de superação, perseverança e resiliência. No entanto, apesar do crescimento e dimensão da modalidade, os ciclistas masters e paraciclistas enfrentam atualmente dificuldades em encontrar oportunidades de competição na vertente de pista em Portugal.
A falta de um calendário de provas de pista para estas categorias limita as oportunidades de competição e desenvolvimento dos ciclistas, levando a uma perda de motivação e interesse pela modalidade. Além disso, poderá levar a uma diminuição da participação de atletas de outras categorias nestas provas.
Esta situação não tem par noutras vertentes (XCO, XCM, Estrada, Enduro, DH e Ciclcrosse) em que as categorias masters, para lá de existirem, são por norma as que colocam maior número de participantes em competição.
Estes são alguns dos motivos para a UVP-FPC reavaliar a sua posição:
1. Promoção da saúde e do bem-estar:
O ciclismo é uma modalidade desportiva que promove a saúde e o bem-estar, a competição é um fator importante para manter a motivação e o interesse dos praticantes.
2. Desenvolvimento da modalidade:
A inclusão de um calendário de provas de pista para a categoria masters e paraciclismo pode contribuir para um maior desenvolvimento e divulgação da modalidade; originará também o aumento no número de participantes de outras categorias, mais público e por consequência uma maior dinamização do velódromo e da região.
Recordamos que os atletas Masters:
• sustentam financeiramente boa parte da base federada (licenças, inscrições e presença constante em provas);
• são exemplo de longevidade desportiva e promotores do espírito de ciclismo saudável e inclusivo;
• frequentemente treinam e competem lado a lado com jovens atletas, contribuindo para o ambiente competitivo e para a formação de novos praticantes, sendo responsáveis pela passagem do legado geracional.
A sua exclusão das provas nacionais de pista enfraquece o crescimento da disciplina e reduz o número de participantes, contrariando o objetivo declarado da Federação de promover o ciclismo em todas as idades e vertentes.
3. Igualdade de oportunidades:
Os ciclistas masters e paraciclistas têm direito a igualdade de oportunidades e condições para competir e desenvolver na modalidade, assim como os ciclistas das outras categorias. Os valores da UCI determinam que nenhuma categoria seja discriminada no acesso à prática desportiva, pelo que a inclusão das categorias viria ao encontro desses princípios e valores.
Na Carta Olímpica, os Estatutos da UCI e a Lei de Bases da Atividade Física e do Desporto (em Portugal) contêm estes princípios claros:
“Todos têm direito à prática desportiva, em condições de igualdade, liberdade e segurança, sem discriminações de qualquer natureza.”
— Lei n.º 5/2007, art. 3.º (Portugal)
“The UCI shall promote cycling in all its forms and for all people, without discrimination on any grounds.”
— Statutes of the UCI, art. 3.1.010
A decisão de não incluir a categoria Master — que representa um número crescente de atletas federados e ativos na modalidade — colide com estes princípios e transmite uma mensagem de desvalorização injustificada de uma parte significativa da comunidade ciclista. Bem como, a exclusão da categoria paraciclismo, traduz-se também num mau exemplo ético e num retrocesso dos valores sociais.
Por fim , solicitamos que a FPC reconsidere a sua decisão de não inclusão da categoria master e paraciclismo na Taça de Portugal de Pista e permita a estes atletas competirem nas habituais provas calendarizadas em anos anteriores.
Reconhecemos as dificuldades logísticas e de calendário associadas à organização das provas de pista.
Ainda assim, acreditamos que a inclusão poderá ser feita sem prejuízo das restantes categorias e benefício de todos.
Apelamos que a FPC considere esta reivindicação e tome medidas concretas para apoiar o desenvolvimento do ciclismo de pista em Portugal. Estamos disponíveis para discutir e colaborar com a FPC para encontrar soluções que atendam às necessidades todos.