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Por uma Fiscalidade Justa no Arrendamento — Redução Automática de 60% no IRS sobre Rendas Habitacionais para Habitação Permanente

Para: Assembleia da República; Ministério das Finanças; Ministério da Habitação

O atual sistema fiscal aplicado ao arrendamento habitacional em Portugal é um dos maiores entraves à oferta formal de habitação.

Atualmente, os senhorios que declaram legalmente os seus contratos enfrentam uma carga fiscal direta de 25% sobre as rendas recebidas (categoria F de IRS), acrescida do pagamento de IMI, custos de manutenção e riscos legais. Não têm direito a deduções relevantes e estão sujeitos a uma carga tributária pesada que desincentiva a legalidade.

Este modelo penaliza os proprietários que cumprem a lei e, paradoxalmente, favorece a informalidade: muitos senhorios optam por não declarar as rendas, confiando na fraca fiscalização e assumindo que podem regularizar mais tarde, com o apoio de advogados.

Isto cria um problema nacional:

Escassez crónica de imóveis no mercado de arrendamento formal;

Subida contínua dos preços das rendas, devido à baixa oferta;

Perda de receita fiscal sustentável e previsível para o Estado;

Injustiça fiscal para quem cumpre.

Além disso, a punição efetiva para quem não declara rendas é praticamente nula. Em Portugal, a evasão fiscal no arrendamento é tolerada de forma sistemática:

A fiscalização é reduzida;

Os mecanismos de controlo são ineficazes;

E as penalizações, quando aplicadas, limitam-se muitas vezes ao pagamento dos impostos em atraso com juros e coima mínima.

Este contexto cria um incentivo perverso: quem arrenda sem declarar arrisca pouco e quase nunca é apanhado. Já quem cumpre é penalizado com uma tributação pesada, complexa e injusta.

Em países como os Estados Unidos, ocultar rendimentos habitacionais é crime fiscal federal. Declarar rendas falsas ou não as declarar pode levar a penas de prisão e multas severas. Em Portugal, esse comportamento é tratado como "normal", perpetuando a informalidade no mercado.

O Estado português, ao não agir, torna-se cúmplice desta economia paralela.

O que se propõe

Propomos que Portugal adote uma medida simples e eficaz, já implementada com sucesso em Espanha:

Redução automática de 60% no IRS sobre rendas habitacionais provenientes de arrendamento para habitação permanente.

Isto significa que:

O senhorio pagaria IRS apenas sobre 40% do rendimento declarado;

A medida aplica-se a todos os contratos legais e registados;

Não depende de adesão a programas estatais ou critérios de renda acessível;

É simples, previsível, e estimula a formalização.

Benefícios esperados

Estímulo à oferta legal de habitação: mais senhorios declararão os contratos, trazendo imóveis para o mercado formal.

Redução gradual das rendas: com mais oferta formal, o mercado torna-se mais competitivo e os preços estabilizam.

Combate à economia paralela: a fiscalidade torna-se vantajosa para quem cumpre — o Estado deixa de ser cúmplice da informalidade.

Receita pública mais estável e justa: menos evasão fiscal significa mais receita sustentável, sem sufocar quem cumpre.

Conclusão

Portugal precisa urgentemente de uma política fiscal coerente com o objetivo de aumentar a oferta de habitação. Penalizar quem arrenda legalmente é contraproducente.

Uma redução automática de 60% no IRS sobre rendas habitacionais para habitação permanente é uma solução simples, justa e eficaz — já testada em países vizinhos.

Pedimos à Assembleia da República e ao Governo da República que legislem no sentido desta proposta. Portugal não pode continuar a punir a legalidade e a alimentar a informalidade.



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Esta petição foi criada em 14 outubro 2025
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