Pelo direito a brincar ao ar livre na infância
Para: Câmara Municipal do Barreiro, Junta de Freguesia do Lavradio
Vivo no Lavradio (Barreiro) e tenho uma filha com 2 anos. Existe falta de parques infantis devidamente inclusivos e enriquecidos com material que promova o desenvolvimento psicomotor das nossas crianças. Um parque infantil não deve ser, uma estrutura rígida (fundamentalmente igual - escorrega + baloiço) cercada.
Uma revisão de literatura recente (Scipperijn, Madsen, Toftager, Johansen, et al.,,2024), analisou 247 estudos sobre parques infantis e o seu uso. Verificou que parques bem projetados promovem atividade física, bem-estar mental e saúde social. Outro estudo (Reimers & Knapp, 2017) mostrou que parques com mais variedade de instalações e estilos (escorregas, baloiços, mesas interativas, túneis, escalada, espaços livres), atraem mais crianças e promovem níveis maiores de atividade física. Frontiers (2023) demonstra a importância de criar parques infantis inclusivos - ou seja, com elementos adaptados a todas as crianças, já que é promotor de benefícios ao nível do movimento, interação social e autoestima em todas as crianças.
É importante que sejam utilizados materiais que promovam a exploração segura das crianças:
- Materiais naturais ou que imitam a natureza (madeira, formas orgânicas);
- Estruturas de escalada, rede, superfícies variadas;
- Zonas para diferentes idades;
Equipamento inclusivo (acessos adaptados, baloiços para quem tiver mobilidade reduzida, baloiços para bebés);
- Áreas de sombra e bancos para cuidadores e crianças;
- Piso acolchoado ou amortecedor de quedas;
- Elementos sensoriais (texturas, sons, superfícies tácteis);
- Espaços livres para brincar sem estrutura fixa;
- Estética limpa, integrada com o ambiente — que desperte curiosidade, não choque visual, que seja convidativa
Investir em mais parques infantis, é também investir em:
- Melhoria no desenvolvimento psicomotor das crianças: equilíbrio, coordenação, força corpórea e controle motor;
- Desenvolvimento cognitivo: solução de problemas, criatividade, imaginação;
- Maior autonomia, confiança;
- Benefícios socioemocionais: regulação de stress, bem-estar psicológico, mais interação social entre pares de diferentes idades e capacidades;
- Redução de sedentarismo na infância, mais atividade física diária.
Prentede-se que os parques criados cumprarm:
- as normas de segurança europeias, por exemplo DIN EN 1176 para equipamento de playgrounds, supervisão técnica e inspeções regulares.
- seja garantida manutenção constante: estado dos materiais, limpeza, substituição de partes, segurança estrutural;
Um parque assim será um espaço de liberdade para quem está a crescer — para explorar, para errar, para aprender. Será promessa de saúde, imaginação e alegria.
Peço às autoridades competentes: Junta de Freguesia do Lavradio e Câmara Municipal do Barreiro, que acolham esta proposta de coração aberto e espírito prático. Que vejam esta obra não como despesa, mas como investimento — nas crianças, na comunidade, no amanhã.
Espero também que mais cidadãos se inspirem e desafiem as suas Câmaras, porque podemos sim mudar o mundo, a começar pela nossa janela.
Com esperança e convicção,
Ana Rita Rendas
(Psicóloga e Mãe, residente no Lavradio)