Fim da discriminação nos preços de entrada em discotecas
Para: Assembleia da República, ASAE, Comissão para a Igualdade de Género e responsáveis por discotecas e promotores de eventos em Portugal
Nós, abaixo-assinados, vimos por este meio manifestar a nossa total oposição às práticas discriminatórias adotadas por muitas discotecas e bares noturnos em Portugal, onde se permite a entrada gratuita ou com descontos exclusivos para mulheres, enquanto os homens são obrigados a pagar valores mais elevados.
Estas práticas, muitas vezes disfarçadas sob o pretexto de “atrair mais público masculino” ou de “garantir a sustentabilidade financeira”, são injustas, antiquadas e discriminatórias. É inaceitável que, em pleno século XXI, se continue a normalizar uma desigualdade tão evidente sob a capa de estratégia de marketing.
Razões que fundamentam esta petição:
Violação do princípio da igualdade: Se vivemos numa sociedade que se orgulha de defender a igualdade de género, não pode haver tolerância para políticas comerciais que criam distinções artificiais baseadas no sexo dos clientes. E se querem tanto implementar a igualdade de género como tanto se fala, deviam começar logo por aí.
Desrespeito pelos homens: Cobrar a uns e não a outros, apenas com base no género, é tratar os homens como consumidores de segunda categoria, obrigados a financiar a diversão das mulheres. Isso cria ressentimento, injustiça e discriminação direta.
Desrespeito pelas próprias mulheres: Longe de as valorizar, esta prática transforma as mulheres em mero isco publicitário. Não são vistas como clientes, mas sim como chamariz para atrair clientes masculinos pagantes. Isto é profundamente redutor e ofensivo, porque retira às mulheres a sua autonomia como consumidoras, reduzindo-as a instrumentos de marketing.
Estímulo a ambientes artificiais e pouco saudáveis: Este modelo não promove uma vida noturna autêntica, mas sim baseada em manipulação. Atrai homens desesperados pela validação feminina e mulheres que, muitas vezes, se sentem pressionadas a exibir-se ou competir pela atenção, em vez de desfrutarem genuinamente da noite.
Falsos argumentos económicos: Muitos empresários afirmam que este modelo é necessário para “manter o negócio”. No entanto, existem inúmeros exemplos de discotecas e bares que praticam preços igualitários para todos e estão cheios noite após noite, provando que a sustentabilidade vem da qualidade da experiência oferecida e não da discriminação.
Caminho fácil e preguiçoso: Em vez de investirem em DJs de qualidade, música envolvente, higiene do espaço, segurança adequada, pessoal atencioso e ambiente agradável para todos, muitos estabelecimentos preferem optar pela via rápida: usar desigualdade de género como chamariz.
Exemplo positivo de evolução: Há casas emblemáticas, como o Plateau em Lisboa, que na maioria das noites praticam preços igualitários e estão sempre cheias - e a casa já está aberta há 42 anos - , demonstrando que o público prefere autenticidade. Se o objetivo é atrair público, então deve haver igualdade plena: ou todos pagam, ou todos entram de graça. E existem por aí muitos outros exemplos.
O que pedimos:
Que seja proibida a prática de entradas diferenciadas por género em discotecas, bares ou eventos.
Que as chamadas “Ladies Nights” só possam existir se acompanhadas de “Gentlemen’s Nights”, garantindo equilíbrio, ou, de preferência, que sejam abolidas de vez.
Que se passe a valorizar os clientes de forma igualitária, homens e mulheres, enquanto indivíduos e consumidores, e não como peças de marketing.
Conclusão:
Esta luta não é apenas pelos homens que pagam mais. É também pelas mulheres, que merecem ser tratadas como clientes plenos e respeitados, e não como isco para atrair outros. A vida noturna portuguesa (tal como no resto do mundo) só tem a ganhar se apostar na qualidade, na justiça e no respeito, e não em truques antiquados e discriminatórios.
Assinar esta petição é um passo para dizer basta a esta palhaçada. Não é apenas uma questão de dinheiro: é uma questão de respeito, igualdade e dignidade.
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6
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