Em defesa do direito das crianças a brincar
Para: Exmo. Senhor Presidente da Câmara de Ílhavo, Exma. Senhora Diretora do Agrupamento de Escolas de Ílhavo, Exmo. Senhor Ministro da Educação
Exmo. Senhor Presidente da Câmara de Ílhavo,
Exma. Senhora Diretora do Agrupamento de Escolas de Ílhavo,
Exmo. Senhor Ministro da Educação
As Atividades de Enriquecimento Curricular (AECs) são uma medida positiva, que reconhecemos e valorizamos. Representam uma oportunidade para muitas famílias que não têm possibilidade de oferecer certas experiências fora do horário escolar, e permitem a muitas crianças ter acesso a aprendizagens e atividades enriquecedoras. Somos gratos pelo esforço e pela oferta existente.
Mas o que pedimos é simples: que exista verdadeira liberdade de escolha.
Na prática, as AECs são apenas facultativas no papel. As crianças do 1.º ciclo que não se inscrevem são obrigadas a sair da escola às 16h, sem poder permanecer no espaço escolar em tempo livre. Mesmo quando a Associação de Pais se disponibilizou a assegurar funcionárias para garantir a vigilância nesse período, no mesmo espaço onde decorrem as AAAF, seguro e já preparado para as crianças, a solução foi recusada. Assim, as crianças ficam privadas de algo fundamental: BRINCAR.
As consequências desta rigidez são graves:
- Privação do tempo livre: em vez de poder brincar, descansar ou simplesmente estar, a criança é forçada a escolher entre mais aulas ou sair da escola.
- Desigualdade entre crianças: umas, cujas famílias têm disponibilidade, conseguem ir para casa cedo e usufruir de descanso; outras são obrigadas a ficar em atividades estruturadas que não escolheram.
- Falsa liberdade de escolha: no papel, as AECs são opcionais; na realidade, não há alternativa de permanência em tempo livre, mesmo com soluções já asseguradas pela Associação de Pais.
- Excesso de estrutura: o dia escolar torna-se uma sequência de atividades dirigidas, sem espaço para imaginação, criatividade ou descanso.
- Impacto na saúde mental: a falta de tempo livre aumenta o cansaço, a ansiedade e a irritabilidade, deixando crianças exaustas ao final do dia.
- Aumento de comportamentos disruptivos: quando obrigadas a permanecer em atividades lúdicas impostas, muitas crianças manifestam resistência, mau comportamento ou desmotivação, prejudicando quem até teria interesse em participar.
- Desrespeito pelos ritmos individuais: cada criança tem níveis diferentes de energia e atenção; impor mais uma hora acelera a saturação e o desgaste emocional.
- Enfraquecimento da autonomia infantil: as crianças aprendem que a sua vontade não conta, crescendo com frustração e sentimentos de injustiça.
Brincar não é perder tempo. Brincar é aprender, crescer, desenvolver competências sociais, emocionais e cognitivas. A ausência deste espaço reflete-se no bem-estar, na saúde mental e até no comportamento dentro e fora da sala de aula.
Não estamos contra as AECs! Consideramos que são uma mais-valia para quem as deseja frequentar. O que pedimos é apenas que haja espaço para as crianças que não precisam (ou não querem) de mais uma hora de atividades estruturadas.
Queremos que as escolas respeitem o direito de brincar e aceitem as soluções já apresentadas pela comunidade (com funcionárias asseguradas pela Associação de Pais) para que todas as crianças possam permanecer em segurança na escola, com liberdade para brincar. Porque infância sem brincar não é infância.
DEIXEM AS CRIANÇAS BRINCAR.
Associação de Pais e EE do Centro Escolar da Coutada
Associação de Pais da Chousa Velha
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