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Petição Para o Fim da Exploração de Vacas da Best Farmer em Monte do Trigo

Para: Exmo. Senhor Presidente da República, Exmo. Presidente de Mesa da Assembleia da Republica, Exmo. Senhor Primeiro-Ministro e Exmo. Senhor Presidente da Câmara Municipal de Portel,

A empresa Best Farmer, SA, do Grupo Jerónimo Martins, criou o projeto de produção de carne e leite na herdade adquirida pelo mesmo grupo, há cerca de dois anos, onde a empresa produz carne e leite, na zona de Monte Trigo, no concelho de Portel, e que se estende ainda até ao concelho de Évora.

Este novo investimento é constituído por dois núcleos de produção, sendo que o primeiro se a uma exploração de vacas leiteiras já existente e em exploração com uma capacidade atual para 1819 CN a que correspondem 1797 bovinos. Para este núcleo, foi apresentado um projeto de modernização/alteração contemplando um aumento do efetivo animal em mais 656 bovinos de leite adultos (totalizando assim 2635 bovinos). Já o segundo núcleo referiu-se a uma nova exploração de engorda de bovinos com uma capacidade para 5000 bovinos de engorda.

De acordo com dados disponíveis no projeto, o objetivo principal do projeto é “a viabilização e dinamização da indústria de produção animal, nomeadamente a bovinicultura, no setor da recria e engorda de bovinos”.

No que diz respeito à exploração do Núcleo 1 (produção de leite), esta enquadra-se nas atividades e estratégia da empresa que, “neste momento, assegura 10% das necessidades da fábrica de leite – Jerónimo Martins Lacticínios, a qual produz leite e manteiga de marca própria para abastecer a rede de distribuição alimentar (lojas Pinto Doce e Recheio).”

Por outro lado, o Núcleo 2 “dedicar-se-á à recria e engorda de bovinos da raça Aberdeen-Angus, destinados exclusivamente ao fornecimento do canal de distribuição gerido pelo Pingo Doce – Distribuição Alimentar S.A”, pretendendo assim “expandir a respetiva capacidade de produção por forma a suprir as necessidades de abastecimento desta rede de distribuição alimentar”.

Todo este investimento ronda os 20 milhões de euros. No entanto, aquilo que não tem custo, é a qualidade de vida e o cheiro do ar que os habitantes de Monte Trigo e arredores têm de suportar, que por sua vez é horrível.

As casas ficam impregnadas com o cheiro a estrume de vaca e a vacaria, assim como as ruas. Há pessoas que ficam mal-dispostas e até chegam a vomitar.

O cheiro a estrume de vaca, indica a presença de gases que, em altas concentrações, podem ser irritantes ou perigosos, como amoníaco. Normalmente, o cheiro provém da decomposição do estrume e está associado a gases como o metano e o amoníaco, que podem causar desconforto respiratório em algumas pessoas, especialmente se a exposição for prolongada, o que é o caso.

O esterco de vacas leiteiras, que frequentemente é utilizado como fertilizante para solos de cultivo, contém grande quantidade de genes recém identificados que são resistentes aos antibióticos, segundo um artigo publicado nesta terça-feira (22) pela revista "mBio". Os genes provêm de bactérias dos intestinos dos animais, e o estudo, publicado na revista da Sociedade Americana de Microbiologia, indica que o esterco das vacas pode ser uma fonte de novos tipos de genes com resistência aos antibióticos que se transferem para as bactérias nos solos onde os alimentos são cultivados.

"Considerando que há uma conexão entre os genes com resistência aos antibióticos que se encontram nas bactérias do ambiente e as bactérias dos hospitais, procuramos determinar que tipos de bactérias vão parar no ambiente por meio do esterco", explica a Doutora Fabienne Wichmann, da Universidade de Yale e pesquisadora principal do estudo. Os genes resistentes aos antibióticos podem passar a fazer parte do "ecossistema humano" porque as bactérias que os possuem criam colónias no homem ou transferem-se os genes para outras bactérias. A pesquisa científica comprovou que as bactérias se transferem das vacarias para os humanos que têm contato com eles, seja físico, ou por meio de patógeneos do ar.

Em 2022, o artigo publicado por Mariana Simões, Nicole Janssen, Dick J.J. Heederik, Lidwien A.M. Smit, Roel Vermeulen e Anke Huss, obteve resultados que estão de acordo com investigações anteriores sobre os efeitos respiratórios adversos em pessoas que vivem perto de vacarias. Pouco se sabe sobre as exposições físicas, químicas e biológicas que levam à morbidade e mortalidade respiratórias, o que justifica novas explorações de contaminantes do ar nas proximidades de vacarias.

Temos estudos feitos que provam que estes patógeneos que se espalham pelo ar, proveniente de exploração de vacas, em zonas residenciais, causa problemas e doenças respiratórios a longo termo, então, de que estamos à espera? Estamos à espera que os habitantes de Monte do Trigo e arredores começem a dar sinais de problemas respiratórios ou de resistência a medicação que pode ser a diferença entre estar vivo ou morto? Ou estamos à espera que se desertifique ainda mais o interior, pois as pessoas com certeza que não querem viver com cheiro a estrume constante nas suas casas?

Quais são as soluções para estes residentes? Será o dinheiro, mais importante que a qualidade de vida humana?




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Esta petição foi criada em 04 setembro 2025
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