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Por um travão urgente à normalização da cultura do “jogo” em Portugal

Para: Ex.mo Senhor Presidente da Assembleia da Repúblico; Primeiro-Ministro; Ministério da Economia; Ministério da Saúde; Ministério do Desporto e da Cultura; Entidade Reguladora da Comunicação Social;

Por uma regulação firme da publicidade a apostas e jogos de azar em Portugal: proteger os jovens, a saúde pública, a comunicação social e o desporto.

CONTEXTO

Em Portugal, a publicidade a jogos de azar e apostas online tornou-se omnipresente: está nas ruas, nos transportes públicos, nas transmissões televisivas, nos telemóveis e até no naming das competições desportivas. Este fenómeno cria uma cultura em que apostar parece normal e inevitável, quando na realidade traz riscos sérios para a saúde, sobretudo entre os mais jovens.
A normalização do “sempre a apostar” é uma ameaça silenciosa que precisa de travão.

PORQUE É URGENTE AGIR

1. Mercado em expansão descontrolada. Em apenas um trimestre (1.º trimestre de 2025), os jogos e apostas online geraram 284,7 milhões € de receita bruta, mais 9,1% que no mesmo período do ano anterior. O futebol representa 71% das apostas. (Fonte: SRIJ)

2. Mais pessoas em risco. Em março de 2025, havia 309 mil portugueses autoexcluídos do jogo online — um aumento de +30,9% face a 2024. (Fonte: SRIJ)

3. Jovens mais expostos. Estudos revelam que 68% dos jovens entre 15 e 34 anos já apostaram dinheiro e 42% fizeram-no online. Aos 18 anos, entre 1 e 2 em cada 10 já experimentaram apostas com dinheiro. (Fontes: ICAD; Fundação “la Caixa”/BlindGame)

4. Publicidade em locais sensíveis. Transportes públicos e estações de metro têm sido usados para campanhas agressivas, mesmo em espaços frequentados diariamente por menores.

5. O desporto tornou-se veículo publicitário. A principal competição nacional chama-se Liga Portugal Betclic, e vários clubes têm casas de apostas como patrocinadores principais, expondo crianças e famílias à marca em cada jogo.

6. Impacto em saúde mental e endividamento. O jogo problemático está associado a depressão, ansiedade, suicídio e endividamento grave, muitas vezes escondido em dívidas de cartões e MBWay.

7. O Estado ganha com o vício. O IEJO (Imposto Especial de Jogo Online) gera receitas anuais crescentes, criando um conflito ético: quanto mais cidadãos jogam, mais o Estado arrecada.

O QUE PEDIMOS

- Fim da publicidade em espaços de grande circulação juvenil: transportes públicos, escolas, universidades, centros comerciais e estações.

- Fim dos patrocínios e naming desportivo ligados a apostas, com período de transição e alternativas de financiamento através de incentivos fiscais a outros setores (cultura, tecnologia, energias limpas).

- Regras claras e restritivas na televisão, rádio, imprensa e digital:

- Proibição em horários de proteção de menores e durante transmissões desportivas.

- Proibição de mensagens que apresentem o jogo como estilo de vida, sucesso ou “diversão inofensiva”.

- Inclusão obrigatória de mensagens de aviso visíveis em todos os anúncios, semelhantes ao tabaco e ao álcool.

- Regulação do digital e transparência das plataformas:

- Proibição de anúncios a apostas em contas de menores (<18 anos).

- Relatórios públicos de quantos jovens são expostos a anúncios.

Educação e prevenção:

- Programas obrigatórios nas escolas sobre riscos de apostas, probabilidades e jogo responsável.

- Campanhas nacionais de sensibilização, financiadas com parte fixa do IEJO.

- Saúde pública e apoio especializado:

- Financiamento de linhas de apoio e serviços de tratamento de jogo problemático no SNS.

- Integração do jogo patológico como prioridade em saúde mental, com recursos equivalentes aos do álcool e drogas.

- Alinhamento com as melhores práticas internacionais:

- Espanha (2021) proibiu anúncios fora da madrugada e terminou patrocínios no desporto.
Itália limitou fortemente a publicidade em TV, rádio e camisolas. Portugal não pode ficar para trás.

O QUE ESTÁ EM CAUSA?

Não se trata de ser “contra o jogo”. Quem quiser apostar deve poder fazê-lo em liberdade. Mas é dever do Estado proteger os cidadãos mais vulneráveis, sobretudo jovens que crescem a ver publicidade constante em todos os serviços, ecrãs e estádios.

Tal como no tabaco ou no álcool, reconhece-se o risco social e define-se uma regulação adequada. O que hoje existe em Portugal é um desequilíbrio: um mercado poderoso, em crescimento, com publicidade sem limites reais, contra famílias e jovens sem proteção eficaz.

CONCLUSÃO

Pedimos ao Governo e ao Parlamento que avancem com legislação firme para limitar a publicidade ao jogo, proteger os jovens e devolver ao desporto e ao espaço público um ambiente livre da normalização das apostas.

?? Assina esta petição: juntos, podemos travar o avanço desta cultura e garantir que, em Portugal, o que se “joga pelo seguro” é a saúde pública, e não o futuro dos jovens.



Qual a sua opinião?

Esta petição foi criada em 20 agosto 2025
A actual petição encontra-se alojada no site Petição Publica que disponibiliza um serviço público gratuito para todos os Portugueses apoiarem as causas em que acreditam e criarem petições online. Caso tenha alguma questão ou sugestão para o autor da Petição poderá fazê-lo através do seguinte link Contactar Autor
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