Petition: Raise Driving Standards in Portugal – Prevention Before Tragedy
Para: Ministério da Justiça, Ministério da Administração Interna (MAI), Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), Divisão de Trânsito
PT:
Em Portugal, cada viagem é como um susto recorrente.
Como condutor licenciado e utilizador diário da estrada, já testemunhei mais acidentes, quase-acidentes e colisões do que em qualquer outro país onde conduzi. Basta olhar em volta: portas amolgadas em quase todas as ruas, reparações ao vivo na berma e comportamentos perigosos que parecem ter-se tornado norma.
O Problema
Portugal continua entre os países mais perigosos (6th) da Europa em termos de segurança rodoviária. Só em 2023, registaram-se 135.000 acidentes, resultando em 453 mortes e 2.550 feridos graves — um custo estimado de €5,5 mil milhões, cerca de 2% do PIB.
E estes números nem captam a realidade total: quase 30% dos acidentes não mortais não chegam sequer a ser reportados.
Mais do que estatísticas, a experiência de conduzir em Portugal fala por si:
Condutores seguem demasiado perto, como se fosse natural.
O telemóvel é usado na mão, até a alta velocidade.
Mudanças de faixa sem pisca são frequentes.
E, pior, a condução perigosa muitas vezes não tem qualquer repercussão — desde que, nesse dia, o infrator não faça vítimas da sua negligência.
Esta cultura de impunidade é perigosa. Não é fúria na estrada: é algo mais profundo — falta de consciência, de responsabilidade e de fiscalização consistente.
Ao mesmo tempo, muitos recursos policiais são desviados para vigiar obras, quando poderiam estar a salvar vidas através da fiscalização ativa do trânsito. Dentro das cidades, cruzamentos mal desenhados continuam a causar acidentes repetidos, sem que se vejam mudanças.
O Que Pedimos
Não apelamos apenas a punições mais severas, mas sim à prevenção primeiro. Portugal precisa de reformas estruturais para melhorar a segurança, salvar vidas e mudar a cultura de condução.
Exigimos:
Reexame universal de condutores – todos os condutores, independentemente da idade, devem passar por pelo menos uma renovação obrigatória da carta ao longo da vida.
Exames mais rigorosos – provas práticas que incluam perceção de risco, distância de segurança, uso correto de sinais e treino em cenários de stress.
Formação obrigatória após infrações graves – não apenas multas, mas cursos de reciclagem ou reexames.
Melhor controlo e dados – auditoria ao registo nacional de condutores e integração de dados policiais e hospitalares para monitorizar acidentes de forma adequada.
Reforço da fiscalização rodoviária – deslocar recursos policiais de funções de baixo impacto para a vigilância ativa: distâncias de segurança, uso de telemóvel e ultrapassagens perigosas.
Infraestruturas seguras – redesenho urgente de cruzamentos perigosos e pontos negros, corrigindo falhas repetitivas.
Campanhas de sensibilização – tornar a distância de segurança, a condução sem telemóvel e o reconhecimento de erros parte da norma cultural.
Conclusão
Não podemos aceitar que cada viagem seja uma aposta, ou que a segurança dependa da sorte. As mortes na estrada não são “acidentes” inevitáveis — são consequência de negligência prevenível, sistemas frágeis e fiscalização insuficiente.
Ao dar prioridade à prevenção, reforçar a responsabilidade e elevar a qualidade da formação, Portugal pode passar de uma das redes rodoviárias mais perigosas da Europa a uma das mais seguras.
Nós, abaixo-assinados, apelamos a reformas imediatas nos padrões de condução, fiscalização e monitorização em Portugal — para proteger vidas, poupar recursos e acabar com os “sustos recorrentes” nas nossas estradas.
ENG:
Every journey in Portugal feels like a recurring jump-scare.
As a licensed driver and daily road user, I’ve witnessed more accidents, near-misses, and roadside collisions than anywhere else I’ve travelled. The reality is plain to see: dented doors on nearly every street, live roadside repairs, and dangerous behaviour that has somehow become routine.
The Problem
Portugal continues to rank among the worst in Europe for road safety (6th worst). In 2023 alone, 135,000 accidents were recorded, causing 453 deaths and 2,550 serious injuries — costing our country an estimated €5.5 billion, or 2% of GDP. These numbers don’t even capture the full picture: nearly 30% of non-fatal accidents go unreported.
But beyond statistics, the experience of driving here is telling:
Drivers tailgate as if it were natural.
Phones are used in hand, even at high speeds.
Lane changes without indicators are common.
Worst of all, reckless driving often goes without repercussion — so long as the offender makes no victims of their negligence that day.
This culture of impunity breeds danger. It is not road rage, but something more systemic: a lack of awareness, accountability, and consistent enforcement.
Meanwhile, many police resources are tied to building-site monitoring, when they could be saving lives by actively policing dangerous driving. Within cities, poorly designed junctions and layouts cause repeat accidents, yet little changes.
What We Ask For
We are not calling for harsher punishment alone, but for prevention first. Portugal needs structural reforms to improve safety, save lives, and shift our culture of driving.
We demand:
Universal one-time driver retesting – every driver, regardless of age, should face at least one lifetime renewal of their licence.
Stricter testing standards – practical exams must include hazard perception, safe distancing, signalling, and stress-scenario training.
Mandatory refreshers after infractions – serious offences should trigger compulsory retraining or retesting, not just fines.
Better data & monitoring – audit the national driver registry, and integrate police and hospital records to properly track incidents.
Reallocate enforcement – move police resources from low-impact duties to active road monitoring: tailgating, phone use, and reckless overtaking.
Fix infrastructure – redesign high-risk junctions and blackspots, addressing recurring accident points with urgency.
Public awareness campaigns – shift cultural norms by making safe distance, phone-free driving, and acknowledgement of mistakes part of national road behaviour.
Closing
We cannot accept that every drive is a gamble, or that safety depends on luck. Road deaths are not accidents — they are the result of preventable negligence, poor systems, and insufficient oversight.
By prioritising prevention, enforcing accountability, and raising the quality of driver training, Portugal can move from one of Europe’s most dangerous road networks to one of its safest.
We, the undersigned, call for immediate reforms to driving standards, enforcement, and monitoring in Portugal — to protect lives, save resources, and end the daily “jump-scares” on our roads.
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