Por uma voz que una a família maritimista
Para: Direção do Club Sport Marítimo
Exmo. Presidente do Club Sport Marítimo,
Numa altura em que se procede a melhorias significativas no clube em diversos níveis, em especial no que toca à vertente extradesportiva, a exemplo, a maior qualidade e interação na Comunicação e Marketing, urge transpor esta realidade para as mais diversas áreas do clube.
Atualmente, a função de speaker nos estádios transcende a mera transmissão de informações decorrentes do jogo. Deste modo, a realidade moderna sugere que a interação entre speaker e massa associativa esteja cada vez mais presente, sobretudo nos momentos que antecedem a partida – e no intervalo –, de forma a criar um ambiente distinto no estádio, sendo concebida igualmente como parte de um espetáculo maior.
Apesar de a longevidade e reconhecimento do sentimento clubístico ser substancial na pessoa que atualmente ocupa esta posição, estamos em crer que devem ser tomadas algumas medidas, em virtude de certas situações, para que haja uma maior harmonia entre adeptos e o clube. Por se tratar de problemas que se mantêm por largas épocas desportivas, propomos que se tenha em atenção a diversos fatores.
1) A situação que se verificou no intervalo do jogo passado (Marítimo vs. Lusitânia Lourosa) mostrou uma falta de profissionalismo e brio muito considerável para com a instituição Club Sport Marítimo. Independentemente de o cargo ser ou não remunerado, de o adepto ser ou não afeto ao quadro de pessoal do clube, ou de o mesmo possuir outra agenda profissional, estamos em crer que é muito pouco razoável que apresente a sua lista de atuações pessoal quando se está num contexto completamente distinto – um jogo de futebol. Neste sentido, deve ser feita uma distinção entre as conjunturas, de forma a prestigiar esta instituição.
2) Na sequência do ponto anterior, acreditamos que as referências presentes e constantes ao nome artístico do speaker por diversas vezes nos momentos que antecedem o encontro não coadunam com a circunstância que ali se vivencia. À semelhança de vários – quase totalidade – dos clubes internacionais, a identidade da pessoa que desempenha esta função deve passar despercebida, uma vez que o objetivo maior é apoiar a equipa, criar um ambiente apelativo – o verdadeiro “Caldeirão” – e contribuir para o espetáculo.
3) Há várias épocas que diversos sócios – e pessoas que visitam o nosso estádio – se queixam de uma fragilidade evidente no sistema de som, provocando ruídos indesejados e dificuldade na audição daquilo que é transmitido pelos altifalantes. Além disso, constatamos frequentemente que o nível de som está constantemente demasiado elevado, o que provoca um grande mal-estar naqueles que frequentam o estádio, sobretudo em crianças e em pessoas com sensibilidades acrescidas.
4) Neste sentido, compreendemos que a emoção, por muitas vezes, se sobrepõe à razoabilidade. Não obstante, solicitamos uma acrescida atenção para o facto de não ser necessário “gritar” no microfone, pois o sistema de som não está concebido para aguentar frequências tão elevadas. Assim sendo, uma melhor utilização do material fará, acrescidamente, com que o público fique mais desinibido e possa, com isso, apoiar o seu clube.
5) Por outro lado, tendo em conta que vivemos numa sociedade globalizada, com profunda influência das redes sociais, estamos em crer que algumas publicações deste adepto – ainda que na sua página pessoal/profissional – extrapolam os limites razoáveis e, em determinadas situações, podem denegrir a boa imagem do clube. À semelhança de qualquer detentor de cargo de dirigente – desportivo, militar, político, religiosos –, existe determinadas funções que exigem a abstenção de comentários e ações, pois, no fundo, representam uma instituição.Assim, deve evitar-se qualquer crítica a arbitragens, instituições/organismos desportivos, publicações descontextualizadas ou com caráter dúbio.
6) De um ponto de vista técnico e sem colocar em causa as capacidades e conhecimentos do adepto, acreditamos que a qualidade tem vindo a deteriorar-se época após época, com a introdução de elementos fora de contexto – sons de sirenes, buzinas, remix – e que têm afetado o padrão elevado a que o clube deve estar sujeito. Como qualquer pessoa pôde constatar, no último jogo em casa, apesar da presença de mais de 8 mil pessoas, o apoio vindo das bancadas esteve muito longe do desejado, sobretudo nos “tempos mortos” do encontro.
Esperando que receba esta carta com um espírito de abertura e com a vontade de todos juntos contribuirmos para um clube mais unido, coeso e próspero.
Saudações verde-rubras,
Os sócios