Proibição de reportagens de incêndios nos telejornais
Para: Assembleia da República; Parceiros Sociais; Governo
Nos últimos dias — como, infelizmente, acontece todos os anos — registou-se um aumento expressivo no número de incêndios em território nacional. Uma parte significativa destas ocorrências tem origem criminosa, provocadas por incendiários, como confirmado pelo relatório anual da AGIF (Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais): https://www.agif.pt/app/uploads/2025/07/SGIFR-RelatorioActividades2024.pdf
Tal como já é prática responsável da comunicação social portuguesa não divulgar casos de suicídio para evitar o chamado “efeito de imitação”, deve também ser repensada e restringida a exposição mediática dos incêndios florestais, especialmente durante os telejornais.
O próprio presidente da AGIF reconhece a existência de um fenómeno de mimetismo incendiário, em que indivíduos com distúrbios psicológicos ou motivações desviantes sentem-se incentivados ou validados ao verem incêndios amplamente noticiados. (https://streamable.com/63fs0u)
Este fenómeno é particularmente perigoso. Em certas regiões do país, registam-se ignições a cada 5 minutos durante a noite, em horários sem justificação natural. A conclusão é inevitável: muitos destes incêndios são deliberados. https://cnnportugal.iol.pt/incendios/crimes/incendios-mais-de-100-ignicoes-aconteceram-durante-a-noite-ha-um-padrao-que-aponta-para-mao-criminosa/20240917/66e9d454d34ea1acf26e7335
O incendiário, muitas vezes portador de doença mental ou movido por motivações egocêntricas, sente prazer ou satisfação ao ver a sua ação divulgada. A cobertura televisiva — que por norma inclui imagens em tempo real, mapas e destaque emocional — pode funcionar como um fator de reforço do comportamento. https://www.noticiasdecoimbra.pt/portador-de-doenca-mental-ateia-fogo-por-mimetismo/
Infelizmente, os meios de comunicação social tendem a resistir a este debate por interesses comerciais — maior visibilidade significa maiores receitas publicitárias. No entanto, o interesse económico não pode sobrepor-se à segurança nacional, à preservação do território e à vida humana.
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Apelo à consciência de todos:
Todos os verões, vemos o país arder. Famílias desalojadas, florestas destruídas, bombeiros exaustos, animais queimados vivos. Não podemos continuar a assistir impassíveis a esta tragédia cíclica, que se repete com números quase previsíveis — como se fosse inevitável. Mas não é.
Podemos atuar em várias frentes, e a forma como comunicamos é uma delas.
Por cada incêndio que se torna notícia com imagens dramáticas e detalhes em direto, há um incendiário que se sente validado. Há uma tragédia a ganhar palco. Não podemos dar palco ao fogo — temos de dar voz à prevenção, à responsabilidade e ao bom senso.
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Assim, os signatários desta petição propõem:
- A proibição da exibição de reportagens sobre incêndios florestais em direto nos telejornais e restantes noticiários generalistas;
- A regulação mais rigorosa da forma como os incêndios são comunicados — sem imagens de propagação ativa, identificação de zonas críticas em tempo real ou linguagem sensacionalista;
- A criação de um código de conduta mediática em colaboração com a ERC, AGIF e Proteção Civil, que defina limites éticos para a cobertura de catástrofes com potencial de mimetismo.
Se a proibição total não for considerada viável, exigimos pelo menos a reavaliação da abordagem jornalística atualmente praticada.
É tempo de agir com responsabilidade. Por um jornalismo que não alimente tragédias.