Pena máxima obrigatória para incendiários em Portugal — sem perdões nem suspensões
Para: Assembleia da República – Presidente José Pedro Aguiar-Branco, Primeiro-Ministro Luís Montenegro, Ministra da Administração Interna Margarida Blasco, Ministra da Justiça Maria do Rosário Palma Ramalho, Procurador-Geral da República Amadeu Guerra, Grupos Parlamentares do PSD, PS, Chega, IL, BE, PCP, Livre, PAN e CDS-PP
Exmos. Senhores representantes do poder político e judicial,
Portugal enfrenta, ano após ano, uma destruição inaceitável provocada por incêndios florestais. Em 2024 arderam mais de 120 000 hectares e morreram nove pessoas, incluindo quatro bombeiros, no maior incêndio registado desde 2017.
Estudos do ICNF indicam que cerca de 90 % dos incêndios têm origem humana e que perto de um terço são atos intencionais.
Este padrão criminoso continua porque a punição efetiva é rara: a moldura penal do art.º 274.º do Código Penal (crime de incêndio) permite suspensões de pena, amnistias e perdões.
Enquanto isto, as populações respiram fumo tóxico, perdem casas, negócios, vidas e património natural. É moralmente intolerável que quem ateia fogo possa voltar a sair em liberdade com tanta facilidade.
Requeremos, por isso, que a Assembleia da República e o Governo promovam com urgência:
Agravar a moldura penal do crime de incêndio doloso, estabelecendo pena de prisão efetiva entre 8 e 25 anos, sem possibilidade de suspensão, perdão, indulto ou amnistia.
Introduzir uma agravante automática quando o fogo coloque em risco populações, bombeiros ou áreas classificadas (Rede Natura 2000, Parques Naturais, etc.).
Impedir a liberdade condicional para condenados por incêndio doloso até cumprirem, pelo menos, dois terços da pena.
Dotar o Ministério Público e a Polícia Judiciária de meios humanos e tecnológicos (drones, câmaras de vigilância, análise forense de telecomunicações) para investigação rápida e prova robusta.
Criar um registo público anual com dados de condenações por incêndio, para que a sociedade possa escrutinar a aplicação da lei.
Somos conscientes de que a prevenção exige educação, gestão florestal e vigilância. Contudo, quando a mão criminosa continua a reincidir, a lei deve ser inequívoca e exemplar na defesa das pessoas e do território.
Pela segurança das nossas famílias, pela proteção dos nossos bombeiros e pelo futuro das florestas portuguesas, exigimos justiça firme já.
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