Pela Confirmação Científica dos Restos Mortais de D. Afonso Henriques
Para: Governo - Ministério da cultura
PETIÇÃO PÚBLICA
Pela Confirmação Científica dos Restos Mortais de D. Afonso Henriques
A identidade dos restos mortais atribuídos a D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, permanece envolta em incerteza científica. Embora tradicionalmente se aceite que repousam no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, nunca foi realizada qualquer análise moderna, genética ou forense, que possa confirmar de forma rigorosa essa atribuição.
Em 2006, esteve iminente a possibilidade de proceder a análises de ADN aos restos depositados no túmulo régio. No entanto, por decisão da então Ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, esse processo foi travado, sem debate público nem alternativa técnica proposta. Desde então, a questão permanece num impasse político, académico e simbólico.
A História de Portugal não deve temer a verdade. Conhecer com precisão a identidade dos nossos fundadores não é um exercício de profanação nem de revisionismo — é um gesto de respeito, responsabilidade e transparência. Países como a França, a Inglaterra ou a Rússia já o fizeram com figuras como Ricardo Coração de Leão, os Romanov ou Henrique IV, sem que a sua dignidade fosse posta em causa. Antes pelo contrário: esses actos de investigação consolidaram a memória histórica e permitiram honrar com mais profundidade os seus legados.
Os avanços científicos na área da genética e da arqueogenética colocam hoje ao nosso dispor meios não intrusivos, respeitadores e discretos para validar a identidade de figuras históricas. Além disso, existem descendentes reconhecidos na linha dinástica portuguesa — como D. João de Bragança, Duque de Bragança — cuja colaboração para comparação genética já foi publicamente sugerida e estaria, presumivelmente, disponível.
Solicitamos, pois, ao Governo de Portugal, à Ministra da Cultura e às entidades responsáveis pela tutela patrimonial e científica, que reavaliem esta matéria com espírito aberto, em diálogo com especialistas, historiadores, arqueólogos e geneticistas. Propomos a criação de uma equipa multidisciplinar que, com autorização religiosa e institucional, conduza o processo de estudo com todas as garantias éticas e científicas.
Esta petição não pretende abrir túmulos por curiosidade. Pretende abrir portas à verdade. E permitir a Portugal saber com certeza onde repousa o seu fundador.
Pelo conhecimento. Pela verdade histórica. Pela memória nacional.