Medidas Urgentes de Prevenção ao Suicídio na Ponte do Cabril (IC8) e Barragem do Cabril
Para: Membros do Governo da República Portuguesa, Assembleia da República e Infraestruturas de Portugal
Exmos. Senhores Membros do Governo da República Portuguesa, Assembleia da República e Infraestruturas de Portugal,
Enquanto cidadãos profundamente preocupados com o crescente número de suicídios que têm ocorrido na Ponte do Cabril, sobre o IC8, e na Barragem do Cabril, infraestruturas que ligam os concelhos de Pedrógão Grande e Sertã, vimos por este meio apelar à vossa ação imediata e responsável.
Ao longo dos últimos anos, estes locais transformaram-se, tragicamente, em zonas de alto risco, onde várias pessoas, em estado de vulnerabilidade extrema, decidiram pôr termo à vida. Estes episódios têm vindo a repetir-se, deixando comunidades devastadas, famílias destroçadas e um rasto de dor que jamais poderá ser quantificado.
A ausência de medidas de segurança nestas estruturas públicas de grande dimensão – como barreiras físicas de dissuasão, sinalização de emergência, videovigilância ou contacto visível com linhas de apoio psicológico – contribui de forma direta para a perpetuação deste problema, que já não pode ser ignorado nem relativizado.
Perante esta realidade, e tendo em conta o dever do Estado de proteger a vida humana e prevenir riscos em locais públicos, exigimos a implementação urgente das seguintes medidas:
Levantamento técnico e histórico sobre os incidentes registados nestas localizações;
Instalação de barreiras físicas de dissuasão (redes, grades ou outros mecanismos eficazes);
Sinalização visível e empática, com mensagens de apoio e contactos úteis (ex. SNS 24, Voz de Apoio);
Sistemas de videovigilância e deteção de movimento, com articulação com forças de segurança;
Campanhas públicas de sensibilização para a saúde mental junto da população local e utilizadores do IC8;
Avaliação contínua dos impactos emocionais e sociais destas medidas, em cooperação com profissionais de saúde mental.
O silêncio institucional ou o adiamento desta intervenção representa uma omissão grave e inaceitável. Cada dia que passa sem resposta é mais um dia em que se arrisca a perder outra vida. Não podemos aceitar que a inércia se sobreponha à dignidade humana.
Esta petição não pretende apenas reclamar obras ou estruturas físicas. Pretende clamar por humanidade, responsabilidade política e empatia social.
Porque nenhuma ponte, nenhuma estrada ou infraestrutura deve tornar-se o fim do caminho para quem sofre em silêncio.
Pedimos, com urgência, ações concretas e céleres. A vida é o bem mais precioso. Que esta seja respeitada e protegida em todos os seus aspetos.
Com elevada consideração,
Os abaixo-assinados.