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O nosso futuro não pode ser traçado por um exame de duas horas e um exame não pode apagar três anos de esforço.

Para: Direção Geral da Educação (DGE)

Todos os anos, milhares de estudantes em Portugal enfrentam um momento de enorme carga emocional e mental: os exames nacionais. À primeira vista, podem parecer apenas uma etapa do percurso escolar, mas na realidade representam muito mais e muitas vezes, demasiado. Representam medo. Representam pressão. Representam o peso de um sistema que insiste em avaliar o valor de um jovem através de uma prova feita sob condições adversas e injustas.

Atualmente, todos os alunos do ensino secundário são obrigados a realizar o exame nacional de Português e mais dois exames, independentemente de pretenderem seguir para o ensino superior. O problema não é apenas a obrigatoriedade: é o facto de esses exames contarem significativamente para a média final do secundário, média essa que, na maioria dos casos, determina o acesso ao ensino superior. Em outras palavras: uma manhã de ansiedade, uma branca inesperada, uma distração momentânea pode comprometer anos de trabalho. E, mais grave ainda, pode ditar o rumo da vida de uma pessoa. De um jovem.

É aqui que precisamos de ser honestos: os exames nacionais têm um papel importante enquanto prova de ingresso no ensino superior. Servem para uniformizar critérios, para assegurar conhecimentos mínimos e para permitir uma triagem justa entre candidatos aos mesmos cursos. Mas não faz sentido, nem é justo, que esses mesmos exames tenham o poder de apagar ou distorcer o percurso de três anos inteiros. Um percurso de esforço, dedicação, superação, noites mal dormidas, testes, trabalhos, participações, tudo colocado em segundo plano por uma nota de um exame.

Não podemos continuar a normalizar o facto de tantos jovens ficarem de fora do curso que desejam por décimas. Décimas! Não por falta de mérito, mas porque falharam num único momento de alta pressão. A ansiedade nas semanas que antecedem os exames é avassaladora. Muitos jovens desenvolvem sintomas graves: insónias, crises de pânico e de ansiedade e entre outras. Não é este o ambiente que queremos para os nossos estudantes. Não é este o reflexo de uma escola saudável.

Além disso, esta estrutura ignora totalmente a diversidade de percursos. Nem todos os alunos pretendem seguir para a universidade. Alguns querem cursos profissionais, técnicos, artísticos, ou outras vias alternativas. Porque razão são então forçados a submeter-se a exames que não fazem sentido para os seus objetivos?

E há ainda a componente mais dura de todas: a desigualdade. Os exames são teoricamente iguais para todos, mas não o são na prática. Há alunos com explicações, acompanhamento, recursos tecnológicos, ambiente de estudo em casa. E há outros que têm de trabalhar, estudar em silêncio entre turnos, ou enfrentar realidades familiares difíceis. Os exames, tal como estão, não são apenas uma avaliação académica, mas sim também um reflexo das injustiças sociais que o sistema insiste em ignorar.

É por isso que defendemos, com firmeza e convicção, uma mudança urgente:

Que os exames nacionais deixem de ser obrigatórios para quem não pretende ingressar no ensino superior.

Que sirvam exclusivamente como prova de ingresso, e apenas nas disciplinas exigidas pelo curso a que o aluno se candidata.

E, sobretudo, que não contem para a média final do secundário. Porque a média deve refletir o percurso, o esforço, a constância e não o resultado de uma única prova feita num ambiente de pressão.

Esta não é uma proposta radical. É uma proposta sensata, equilibrada e profundamente humana. Queremos uma escola que respeite a diferença, que valorize o esforço ao longo do tempo e que permita aos jovens desenvolverem-se sem o medo constante do fracasso. Os exames podem e devem existir mas o seu papel tem de ser repensado. Eles não podem continuar a decidir o futuro de uma geração com base em duas horas. Não podem continuar a roubar sonhos por décimas.

A educação deve formar, não destruir. Deve abrir portas, não fechá-las. Deve respeitar os ritmos e caminhos de cada aluno e não obrigar todos a seguir pela mesma estrada ou caminho.

Está na hora de mudar. Os exames devem existir, sim. Mas não podem continuar a ter o poder de apagar anos de trabalho. Os alunos não são números, nem devem ser avaliados como tal. Eles são pessoas, com sonhos, com dificuldades, com determinação e com sonhos e objetivos e está na altura de tratá-los assim.

Por uma educação mais justa, mais humana e mais consciente, pedimos: o fim da obrigatoriedade dos exames nacionais para todos os alunos e a exclusão da sua nota do cálculo da média final. Porque o futuro não pode depender de meras décimas. Porque os jovens merecem um sistema que os inspire, que os apoie e que os valorize. Porque o futuro não se decide em duas horas. Porque um exame nunca deveria ter o poder de apagar um sonho. Porque todos os jovens e estudantes merecem mais.






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Esta petição foi criada em 14 julho 2025
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