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Por um Serviço Nacional de Saúde Digno, Justo e Funcional

Para: Assembleia da República, Governo de Portugal, Ministério da Saúde

Introdução

O Serviço Nacional de Saúde (SNS), pilar fundamental da democracia portuguesa e consagrado constitucionalmente como universal, tendencialmente gratuito e solidário, encontra-se em colapso funcional há anos.
A ineficiência, a escassez de recursos humanos e técnicos, as longas listas de espera, o cansaço dos profissionais e a falta de acessibilidade real afetam milhões de portugueses, em particular os mais carenciados, idosos e doentes crónicos.

Apesar dos milhões investidos anualmente pelo Orçamento de Estado - o problema não reside apenas no financiamento, mas na desorganização estrutural, má gestão e ausência de planeamento de longo prazo.

É imperativo e urgente reformar profundamente o SNS, sem abdicar da sua natureza pública, universal e equitativa, com medidas técnicas de impacto imediato e estratégico.

Objetivo da Petição

Exigir ao Governo e à Assembleia da República a implementação urgente de um plano técnico e especializado de reestruturação e reforço do SNS, dividido em:

-Medidas de curto prazo (6 a 18 meses) com impacto imediato;
-Medidas de médio e longo prazo (2 a 10 anos) para modernização estrutural.

Medidas Técnicas para o SNS

1. Reforma da Gestão:

-Autonomia administrativa e financeira dos hospitais e centros de saúde;
-Profissionalização da gestão com base em mérito e experiência (fim das nomeações partidárias);
-Auditorias externas obrigatórias e regulares com indicadores públicos.

2. Recursos Humanos - Valorização e Retenção:

-Planos de carreira claros, estáveis e competitivos para médicos, enfermeiros e técnicos;
-Redução da burocracia clínica com ferramentas digitais;
-Programas de combate ao burnout e acompanhamento psicológico.

3. Digitalização Total e Tecnologia no Centro do SNS:

-Registo eletrónico de saúde único e acessível em todo o país;
-Generalização da telemedicina e videoconsultas;
-Inteligência artificial (IA) aplicada à triagem, gestão de filas de espera e priorização;
-Chatbots e assistentes virtuais no atendimento prévio.

4. Reconfiguração da Rede Nacional de Cuidados:

-Criação de centros regionais de excelência por especialidade;
-Reorganização dos hospitais e ACES para evitar redundância;
-Reforço da rede de cuidados continuados e domiciliários;
-Descentralização progressiva para autarquias com orçamentos próprios.

5. Transparência e Participação Cívica:

-Portal público com indicadores em tempo real (tempos de espera, cirurgias realizadas, etc.);
-Orçamentos participativos na saúde local, com envolvimento das populações.

6. Financiamento Inteligente e Racional:

-Fim ao desperdício com aquisições centralizadas e renegociação de contratos;
-Criação de um Fundo de Emergência Nacional para Saúde Pública;
-Parcerias pontuais com o setor social sem comprometer a natureza pública do SNS.

7. Planeamento Demográfico e Pressão Migratória:

-Planeamento realista com base em dados estatísticos sobre natalidade, envelhecimento e imigração;
-Criação de linhas de apoio de saúde para migrantes, com intérpretes e integração funcional no sistema.

8. Educação para a Saúde:

-Introdução obrigatória da educação para a saúde nos currículos escolares;
-Campanhas de literacia em saúde contínuas, multicanal e ajustadas por região.

Medidas Imediatas (Curto Prazo)

1. Centros de Atendimento Intermédio (CAI):

-Postos médicos avançados com médicos de família para pequenos casos;
>Reduzem a sobrecarga nas urgências hospitalares em 30–40%.

2. Reforço do Enfermeiro de Família:

-Consultas autónomas para renovação de receitas, feridas, tensão, diabetes.

3. Linha SNS 24 reforçada:

-Integração com videoconsultas;
-Permitir renovação de medicação crónica por avaliação digital;
-Uso de inteligência artificial para triagem automática e correta.

4. Acordos com Clínicas Locais para Consultas e Exames:

-Subcontratação imediata de serviços para especialidades com espera superior a 3 meses.

5. Reativar Camas Encerradas nos Hospitais:

-Obras ligeiras e contratação temporária para reaproveitamento de alas inativas.

6. Contratação Temporária de Reformados e Recém-formados:

-Médicos e enfermeiros aposentados com experiência integrados em turnos parciais.

7. Centros de Saúde com Horários Alargados:

-Abertura noturna e ao fim de semana nos centros de maior pressão.

8. Campanha Nacional de Literacia em Saúde:

-“Quando ir ao hospital?”, “Como tratar em casa?”, “SNS 24 funciona assim”.

9. Apoio Logístico pelas Autarquias:

-Câmaras Municipais como parceiras: transporte, vigilância, espaços para CAIs.

10. Simplificação Administrativa:

-Redução de papelada, check-in digital e automatização de processos burocráticos.

Medidas subutilizadas que devem ser maximizadas

-Unidades Locais de Saúde (ULS): alargar a todo o território.
-Farmácias como extensão do SNS: medição de sinais, vacinação, aconselhamento.
-Monitorização remota em cuidados domiciliários com sensores, IA e apps.

RESUMO – Medidas de Impacto Imediato (6–18 meses)

Para aliviar a pressão atual sobre o Serviço Nacional de Saúde e devolver funcionalidade ao sistema, propõe-se a implementação das seguintes medidas de curto prazo:

1. Urgências – Centros de Atendimento Intermédio (CAI): Criação de postos médicos avançados, com equipas de saúde familiar, para atendimento de casos não urgentes. Estes centros permitirão redirecionar dezenas de milhares de utentes das urgências hospitalares para serviços adequados, reduzindo significativamente a sobrelotação e os tempos de espera.

2. Cuidados Primários – Enfermeiros com Autonomia: Reforço da autonomia dos enfermeiros de família para realização de consultas independentes, acompanhamento de doentes crónicos, renovação de medicação e prestação de cuidados básicos. Esta medida permitirá libertar os médicos de tarefas administrativas e consultas de rotina.

3. Consultas e Exames – Acordos com Privados Locais: Estabelecimento de protocolos pontuais com clínicas e laboratórios privados para realização de consultas de especialidade e exames complementares, sobretudo nas regiões e áreas com maior tempo de espera. Esta solução imediata permitirá reduzir drasticamente listas de espera acumuladas.

4. Recursos Humanos – Contratos Transitórios e Horários Alargados: Contratação temporária de profissionais de saúde reformados e recém-formados para suprir falhas críticas. Alargamento do horário de funcionamento dos centros de saúde nos períodos noturnos e fins de semana, em zonas de maior pressão.

5. Administração – Automatização e Simplificação: Implementação de check-ins digitais, redução da burocracia clínica e automatização de processos administrativos. Estas medidas irão permitir aos profissionais de saúde dedicarem mais tempo ao contacto direto com os utentes.

6. Educação – Literacia em Saúde e Campanhas Públicas: Lançamento de uma campanha nacional de literacia em saúde, com foco na utilização responsável do SNS, educação sobre sinais de alerta, autocuidado e funcionamento da Linha SNS 24. Estas ações visam orientar os utentes e reduzir afluências desnecessárias aos serviços de urgência.

Estas medidas, aplicáveis no espaço de 6 a 18 meses, têm impacto direto na reorganização dos fluxos de utentes, melhoria da resposta clínica, descongestionamento das urgências e redução das listas de espera, sem comprometer a base pública do SNS. São soluções práticas, exequíveis e com elevado retorno social.

Conclusão

O SNS não precisa de ser substituído, mas de ser tratado com a urgência que se exige a um sistema em colapso progressivo.A saúde dos portugueses não pode esperar por ciclos políticos ou consensos partidários.
É possível manter um SNS público, digno e funcional — mas é preciso coragem política, visão técnica e mobilização social.

Por isso, os signatários desta petição exigem: A adoção deste plano técnico em duas fases: medidas imediatas de emergência (6–18 meses) e transformação estrutural do SNS (até 10 anos), com metas, cronogramas e prestação de contas pública.



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Esta petição foi criada em 07 julho 2025
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