Pela imparcialidade no Jornalismo português
Para: Entidade Reguladora para a Comunicação Social
Venho por este meio questionar a causa da flagrante parcialidade dos órgãos de comunicação portugueses, nomeadamente sobre a situação no Médio Oriente, mais concretamente sobre a excessiva importância dada às notícias sobre qualquer acontecimento referindo o Estado de Israel e seus ocupantes e a clara atenuação da gravidade dos atos do dito Estado face aos países envolvidos no conflito a decorrer, nomeadamente Palestina e Líbano.
Apresento como exemplo os "links" abaixo:
1: "https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2753055/um-morto-e-um-ferido-em-ataque-no-norte-de-israel", da agência "Lusa";
2-"https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2753042/israel-mata-lider-politico-do-hamas-em-ataque-a-hospital-de-gaza", do próprio canal "Notícias ao minuto".
O 1º refere a morte de um civil israelita e o ferimento de outro, retratando o suposto assassino como sendo "terrorista".
O 2º refere o ataque de um político do Hamas e a destruição de parte de um hospital, omitindo tanto a questão de terem havido vítimas civis bem como atenuando a gravidade de se realizar um ataque a um hospital. Este ultimo fato é amplamente considerado como sendo "crime de guerra". Cito ainda o Comité Internacional da Cruz Vermelha que no seu "site" "https://www.icrc.org/pt/document/protecao-hospitais-durante-conflitos-armados-dih", refere que, "De acordo com o Direito Internacional Humanitário (DIH), estabelecimentos e unidades de saúde, incluindo hospitais, não devem ser atacados. A proteção também é conferida a pessoas doentes e feridas e a profissionais e veículos de saúde. Essa norma tem poucas exceções."
Na 2ª notícia que referi, o fato de um hospital ter sido atacado não é adjetivado mas a pessoa que supostamente atacou os dois israelitas na 1ª notícia foi amplamente adjetivada como sendo terrorista, sem julgamento, mas executado.
Considero esta óbvia parcialidade como sendo um exemplo da forma como os órgãos de comunicação social portugueses têm vindo a abordar esta mesma questão. A finalidade do jornalismo é assegurar que é imparcial, de forma a informar e não a influenciar o público.
Agradeço que, como Entidade Reguladora para a Comunicação Social, revejam esta e outras situações similares de forma a garantir a confiança no nosso jornalismo.