Defesa e preservação do património linguístico da língua Portuguesa
Para: Governos dos países lusófonos, Academias de Letras e Instituições de Ensino
Defesa e preservação do património linguístico da língua portuguesa
A língua portuguesa, com mais de 800 anos de história, é um dos mais ricos patrimónios culturais da humanidade. Originária da Península Ibérica, desenvolveu-se a partir do latim vulgar falado na Lusitânia, mantendo uma continuidade linguística e estrutural ao longo dos séculos. Com a expansão marítima portuguesa, a língua foi levada a várias partes do mundo, incluindo o Brasil, onde sofreu modificações significativas devido ao distanciamento histórico e influências externas.
Atualmente, verifica-se uma tendência crescente de descaracterização da norma portuguesa em prol de simplificações e alterações que comprometem a sua integridade histórica e estrutural. O Acordo Ortográfico de 1990, por exemplo, removeu elementos essenciais da ortografia tradicional, provocando uma descaracterização da língua e dificultando a preservação da norma clássica.
A língua não é apenas um meio de comunicação, mas também um reflexo da identidade cultural de um povo. A evolução linguística deve ocorrer naturalmente, acompanhando as mudanças sociais, sem ser imposta por decisões políticas ou ideológicas que desrespeitem a sua matriz histórica. Em muitos países, a proteção do idioma é uma questão de soberania cultural, garantindo que as gerações futuras tenham acesso a uma língua preservada na sua riqueza e profundidade.
Do ponto de vista sociocultural, a descaracterização da língua compromete a conexão entre diferentes gerações e altera a forma como a história e a literatura são compreendidas. Obras clássicas da literatura portuguesa, como as de Camões, Eça de Queirós e Fernando Pessoa, foram escritas numa estrutura que está a ser gradualmente desfigurada. Alterações impostas sem um critério de respeito às origens linguísticas levam à perda de expressões idiomáticas, de nuances semânticas e da própria musicalidade da língua.
No campo académico e profissional, a falta de uma norma forte e coerente afeta a perceção internacional do português como língua de prestígio e ciência. Se o português europeu continuar a ser enfraquecido, há o risco de perda de relevância em contextos institucionais, diplomáticos e académicos. Diversos países europeus, como a França e a Alemanha, investem fortemente na proteção da sua língua, garantindo que ela continue a ser uma ferramenta de identidade nacional e projeção internacional.
Diante disso, exigimos:
O reconhecimento e a proteção da variante europeia do português como matriz histórica da língua.
A revisão do Acordo Ortográfico de 1990, garantindo que não haja prejuízo às regras ortográficas tradicionais.
O incentivo ao ensino da norma culta do português europeu nas instituições de ensino, especialmente nos países lusófonos.
A valorização da herança latina e histórica do português, protegendo a sua estrutura original contra influências externas que descaracterizem a língua.
O reforço do estatuto do português europeu em organismos internacionais e instituições de ensino superior.
A promoção de políticas linguísticas que incentivem a preservação da norma culta nas publicações oficiais, meios de comunicação e literatura.
Solicitamos que os governos e as instituições competentes adotem medidas concretas para garantir a preservação do português na sua forma original, respeitando a sua evolução natural sem comprometer a sua identidade histórica.
Assine esta petição e ajude a proteger a língua portuguesa!