Libertação imediata e incondicional do Dr. Hussam Abu Safiya (director do Hospital Kamal Adwan, no norte de Gaza)
Para: Ao Presidente da República Portuguesa; Ao Primeiro-Ministro e ao ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal; Ao Embaixador de Israel em Portugal; Ao Embaixador dos EUA em Portugal; Ao Presidente do Conselho Europeu; À Presidente da Comissão Europeia; À Presidente do Parlamento Europeu
O Dr. Hussam Abu Safiya, de 51 anos, é um pediatra excepcional e director do hospital Kamal Adwan, no norte de Gaza, o único que ainda estava em funcionamento no norte de Gaza, que prestava cuidados vitais a uma população duramente atingida por um genocídio.
Apesar dos seus ferimentos físicos, apesar da trágica perda do seu filho, nunca abandonou o seu povo. Ele, juntamente com a sua equipa médica e de enfermagem, ofereceram, até ao último minuto, cuidados e conforto aos palestinianos feridos e doentes, encarnando os valores da solidariedade e da dignidade.
No dia 27 de Dezembro de 2024, o hospital Kamal Adwan foi bombardeado e incendiado por soldados do exército sionista, reduzindo a cinzas a esperança que ele representava para este martirizado povo. O mundo inteiro assistiu a uma imagem arrepiante: a do Dr. Hussam Abu Safiya, caminhando sozinho com passos seguros, envergando orgulhosamente a sua bata branca, desarmado, em direcção a um tanque sionista que o esperava.
Segundo a BBC News (3 de Janeiro de 2025) , as autoridades israelitas confirmaram a sua detenção.
A detenção do Dr. Hussam Abu Safiya é uma violação flagrante do direito internacional humanitário e um crime contra aqueles que dedicaram a sua vida a salvar a vida de outros.
A família do Dr. Abu Safiya acredita que ele está detido na base militar de Sde Teiman, no sul de Israel, conhecida pela prática das mais terríveis torturas, infligindo inimagináveis níveis de sofrimento (amputações sem anestesia, …) aos detidos.
De acordo com relatos de prisioneiros, entretanto libertados, o Dr. Abu Safiya foi sujeito à bestialidade e crueldade dos torcionários.
O Dr. Abu Safiya deve ser imediatamente libertado. O Dr. Abu Safiya é muito mais do que um médico: é um símbolo de coragem e humanidade.
Demarcamo-nos da hipocrisia e cumplicidade daqueles que - face à desumanidade, à crueldade e à barbárie destes actos - dizem que “não é o momento”, olham para o lado, se mantêm em silêncio.
Em Portugal, sobre o Presidente da República, o Primeiro-Ministro, o ministro dos Negócios Estrangeiros, recaem especiais responsabilidades: utilizem TODOS os poderes de que dispõem para, junto das instâncias e autoridades competentes, exigir, formalmente, a libertação imediata do Dr. Hussam Abu Safiya.
É com esse propósito que nos dirigimos a todas as entidades em epígrafe.
Nós, abaixo-assinados, exigimos a libertação imediata e incondicional do Dr. Hussam Abu Safiya.
Jaime Fernandes, escritor e ex-preso político
Carmelinda Pereira, professora e deputada à Assembleia Constituinte
Aires Rodrigues, deputado à Assembleia Constituinte
Rafael Henriques, médico de família
Henrique Gomes da Costa, economista
Jorge Custódio, professor e arqueólogo industrial
Caetano Ramos, estudante