Salvem o Descapotável!
Para: Clã Gomes
Venho, por este meio, chamar a atenção de vossas excelências para um problema que nos contunde e que nos contundirá ainda mais no futuro, se não forem tomadas as devidas providências.
Coloca-se a hipótese de terminarmos a nossa relação com o 43-FJ-75 de forma definitiva.
Reporto-vos à ocorrência do passado dia 19 de outubro, por volta das 20:30, durante a chegada a Sesimbra, ilustre Terra do Peixe Fresco: num momento em que este se encontrava a descer, após uma redução na caixa de velocidades, perdeu força, tendo-se aferido em inspeção posterior de que se tratava de um problema com o turbo. Por esta razão da qual, agora, vos recordo, coloca-se a hipótese de procedermos ao abate.
Estamos a falar de um querido membro da nossa família. Um poço de memórias, de assentos revestidos de uma pele marcada pelo tempo (e nalgas) daqueles que aqui muito riram. Que muito partilharam e choraram. Escolhido pela nossa querida avó, mãe e sogra Dinora, que nem ardente amor à primeira vista. Convido-vos a recordarem a primeira vez que o olharam nos faróis. Convido-vos, também, a refletir sobre o futuro que ambicionam para ele… ou o abondamos numa sucata, largado à oxidação ou restauramos a sua prévia glória, dando-lhe a oportunidade de saborear as brisas lusitanas, enquanto percorre o país de norte a sul, este a oeste.
Caríssimos, atentem nisto! Não estamos a falar apenas de um meio de locomoção… Estamos a falar de uma maravilha da engenharia francesa que serviu, de forma altruísta e desinteressada, três nobres gerações, não tendo este ainda tido a oportunidade de atingir o seu apogeu.