Apelo à reformulação do Sistema Educativo Português
Para: Exmo. Senhor Ministro da Educação, Primeiro-Ministro, Presidente da República e Presidente da Assembleia da República
Exmo. Senhor Ministro da Educação, Primeiro-Ministro, Presidente da República e Presidente da Assembleia da República, venho por este meio demonstrar a minha indignação, como cidadã portuguesa e apelar à reformulação do sistema educativo português.
“Uma análise da OMS sobre comportamentos e saúde em idade escolar traz alguns alertas para Portugal e pedidos de ”ação urgente”. A OMS regista, no entanto, um aumento da tristeza, nervosismo, irritação, dificuldades em adormecer e dores de costas entre os adolescentes portugueses (…)” (Nit, 2020), devido à pressão com os trabalhos de casa, o stress das avaliações e a pressão dos pais pelas boas notas.
Paralelamente, os funcionários e os educadores/professores sentem-se injustiçados, uma vez que, o nosso país desvaloriza as suas carreiras, ganham o salário mínimo nacional, não têm condições de trabalho para desempenhar as suas funções profissionais, há falta de pessoal nas escolas e têm gastos semanais em aluguer, alimentação e viagens, pois, alguns educadores/professores são colocados longe de casa para irem dar aulas.
Considerando isto, “parece que a escola toda se centrou na questão da avaliação em vez de no gosto pela aprendizagem”. …O ensino está todo virado para a nota em vez de para o conhecimento académico e das pessoas” (PÚBLICO - Comunicação Social SA, 2024).
O sistema educativo português deveria adaptar o modelo de ensino da Finlândia, ao ser conhecido como um dos melhores sistemas educativos do mundo.
A Finlândia dá acesso à educação, às refeições e aos materiais escolares gratuitamente, a todas as crianças dos 7 aos 15 anos, independentemente da sua situação socioeconómica.
Nas escolas finlandesas, os alunos convivem e acedem livremente a qualquer atividade, utilizando as ferramentas necessárias para aprenderem ao seu próprio ritmo e entreajudarem-se até descobrirem o que querem fazer mais tarde na vida.
Além disso, as crianças passam menos tempo na escola do que em Portugal, já que, somente frequentam o Jardim-Infância até ao 9.º ano, com aulas semanais de 45 minutos entre intervalos de 15 minutos e quase não têm trabalhos de casa, testes padronizados e não existem exames nacionais.
Esta metodologia ajuda os estudantes no equilíbrio entre a vida pessoal e a vida escolar, de forma, a priorizar o bem-estar emocional e social, permitindo-lhes, desenvolver atividades criativas, práticas desportivas e desfrutarem de descanso adequado.
O modelo de ensino finlandês, também promove a educação pré-escolar a todas as crianças a partir dos 6 anos, focando a aprendizagem na brincadeira, através de jogos e da interação social, que ajuda no desenvolvimento social e emocional das crianças.
De acordo com uma entrevista à RTP, a ministra finlandesa da Educação aponta os professores como chave do sucesso do modelo finlandês, que defende a aposta na formação de docentes e a autonomia para definir os recursos utilizados (VMTV, 2024), de forma, a preparar os alunos para o mercado do trabalho de amanhã.
O respeito e a confiança que a sociedade finlandesa deposita nos professores são muito importantes, porque a carreira de docente na Finlândia é uma das profissões mais valorizadas da Educação.
A prova disso é que a Finlândia tem sido um dos países da Europa a obter excelentes resultados nos testes de avaliação internacional PISA, nomeadamente, nas matérias de Matemática, Leitura e Ciências.
No entanto, para Portugal conseguir adaptar o sistema educativo finlandês à nossa cultura, o Governo, tem que erradicar o “regime corretivo intensivo de exames, instrumento de regulação incontornável (…)” (PÚBLICO - Comunicação Social SA, 2024) e focar-se sobretudo, na aprendizagem individual de cada estudante, de forma, “a reduzir a taxa de retenção dos alunos, o peso da avaliação no ensino básico, incentivar a participação ativa nas salas de aula e apoiar os alunos a ultrapassarem as suas dificuldades durante o ano letivo” (Nádia Gonçalves, 2013).
Por outro lado, o sistema educativo português deveria apostar, na flexibilidade do currículo escolar, permitindo aos estudantes, maior autonomia na aquisição de conhecimento e na escolha das disciplinas, segundo as suas necessidades, deixando-os explorar o mundo por conta própria.
No caso da Educação Pré-escolar, deve-se apostar mais na Infância de cada criança, deixando-a aprender enquanto brinca e sê feliz.
De modo a assegurar um bom funcionamento da escola e uma boa aprendizagem aos alunos. Os partidos políticos terem a obrigação de valorizar a profissão dos funcionários e dos educadores/professores, de forma, a melhorar as condições de trabalho, aumentar os salários mínimos, oferecer formação de alta qualidade e fornecer apoio a todos os educadores/professores deslocados.
Para podermos melhorar a Educação em Portugal, tem que haver uma colaboração entre o Governo e a comunidade, de maneira, a que todos consigam promover uma educação de alta qualidade e centrada no aluno, no sentido, de desenvolver competências académicas, sociais, emocionais e práticas que serão essenciais para a vida pessoal e profissional dos estudantes.
Ainda que, transformar “(…) um sistema educativo seja um processo muito demorado, que exige múltiplos esforços e uma adaptação ao contexto atual” (Nádia Gonçalves, 2013), temos que nos ajustar ao mundo em constante mudança e criar métodos de ensino inovadores que sejam eficazes para preparar os alunos para os desafios futuros.
Atentamente,
Alexandra Santos.