JUSTIÇA PELA KÁTIA
Para: Ministério da Justiça.
1 SEGUNDO DE PRAZER ALHEIO CUSTA CARO, CUSTA UMA VIDA FEMININA, CUSTOU A VIDA DA KÁTIA HOPE.
OS HOMICÍDAS APAIXONARAM-SE PELAS MULHERES.
O 7 de Abril é um dia que devia ressoar com celebrações e tributo à força das mulheres, no entanto, tornou-se um pesadelo, não só para a Kátia, mas para todas nós mulheres, pelo que, já não celebraremos o nosso dia da mesma forma.
Aos 20 anos, a vida pulsante que a Kátia tinha pela frente foi brutalmente interrompida por três vizinhos. Kátia saiu de uma festa em celebração ao dia da Mulher Moçambicana a convite de um vizinho, que alegava estar tarde e podia levá-la para casa, afinal, o homem pretendia levar a Kátia a um lugar silencioso e escuro para junto de mais 2 vizinhos abusarem sexualmente da Kátia.
No acto macabro, Kátia chorava, sucumbia, rangia e quanto mais gritava mais era acariciada com socos e chapadas, no entanto, outro vizinho atraído pelos gritos decidiu sair à rua para ver o que se estava passar, diante do cenário, colocou-se em combate com os violadores e conseguiu socorrer a Kátia ainda em vida.
Sobreviver àquela noite foi apenas o primeiro episódio de uma série de tragédias. As sequelas deixaram marcas não apenas no corpo, mas na alma. Depois do ocorrido, a Kátia enfrentou meses de dor e problemas de saúde, chegou ao ponto de usar fraldas. E enquanto ela lutava para recuperar a saúde que só piorava, os agressores aguardavam impassíveis em prisão preventiva.
Cinco meses depois, Kátia não resistiu e faleceu um dia depois da leitura da sentença, infelizmente, assistiu o julgamento dos seus agressores, aliás, digo um infelizmente, porque decerto que foi doloroso para Kátia saber que os seus agressores foram condenados entre 8 meses a um ano de prisão e uma multa de 50 mil meticais de indemnização para a família.
Quantas mais Kátia existem? Quantas histórias permanecem até hoje arquivadas, mal julgadas e os protagonistas estão livres e ilesos.
Não houve justiça para a Kátia.
A história da Kátia é semelhante a de várias outras mulheres que foram silenciadas e sequer houve justiça para que elas descansassem em paz.
E cada uma delas representa uma violação não só dos direitos da mulher, mas da dignidade humana. A dor da Kátia e da sua família é um reflexo de uma realidade mais ampla: A falta de responsabilização e justiça em Moçambique perpetua um ciclo de violência e medo.
Urge a necessidade de reflectirmos sobre as políticas de género que protejam as mulheres.
Não podemos continuar a permitir que o número de feminicídios e violações sexuais cresça acirradamente, queremos viver sem medo de sermos violadas a volta do trabalho, da escola ou até de uma festa.
Nós não somos meras estatísticas, somos mulheres, somos pessoas, somos seres humanos e exigimos respeito.
Quem será a próxima Kátia , eu? Tu? A tua irmã? A tua mãe, a tua prima?
Quantas mais devem morrer para encerrar esse ciclo de violência perpetuada contra a mulher?
Que haja justiça pela Kátia! Que cada lágrima derramada reverbere na consciência colectiva e inspirem mudanças profundas nas estruturas sociais, políticas e legais.
Estamos cansadas de nos enterar umas às outras, temendo ser a próxima!
Basta!
Se você não concorda com sentença, assine esta petição.