PETIÇÃO PARA A AFIXAÇÃO NO PANTEÃO NACIONAL DA LÁPIDE ALUSIVA À VIDA E À OBRA DO CORONEL OTELO SARAIVA DE CARVALHO PARA O PANTEÃO NACIONAL
Para: Para conhecimento de Suas Excelências o Presidente da República, Presidente da Assembleia da República e Primeiro-Ministro.
Vimos, por este meio, solicitar a Vossas Excelências uma reflexão sobre a petição que temos a honra de endereçar à vossa apreciação. Trata-se da proposta de afixação no Panteão Nacional da lápide alusiva à sua vida e à sua obra Coronel Saraiva de Carvalho, por impossibilidade de transladação dos restos mortais por estes terem sido cremados.
Sabemos que o percurso de vida do Coronel Otelo Saraiva de Carvalho é bastante complexo e polémico, que levou inclusive a que no momento da sua morte não fosse decretado luto nacional, principalmente pelo episódio das FP-25 de Abril. Processo esse em que Otelo Saraiva de Carvalho foi preso preventivamente, muito para além da conta, e os processos de condenação tenham sofridos tantos reveses que só a amnistia trouxe aparente paz tanto à vida do Coronel, como à vida dos portugueses.
E é preciso salientar esta amnistia, porque nas palavras de Ricardo Costa, na emissão da SIC Noticias de 25 de Março de 2024, que o nome de Diogo Pacheco de Amorim "não é um nome complicado", pese embora o facto deste, Diogo Pacheco de Amorim, ter sido militante do MDLP, “movimento que entre meados de 1975 e Abril de 1977 é suspeito de ter provocado cerca de 600 atentados e acções violentas, fazendo explodir automóveis, casas e escritórios de quem era conotado com a esquerda comunista – incluindo sedes do PCP. Alguns membros do MDLP foram suspeitos de vários atentados bombistas que resultaram na morte de múltiplos inocentes, entre eles o Padre Max, e foram detidos pela Polícia Judiciária.” (in “O candidato do Chega a vice-presidente da AR militou na direita armada do MDLP no pós-25 de abril”, de 3 de Fevereiro de 2022, edição online do Expresso).
E é precisamente a afirmação de Ricardo Costa que, passo a citar, diz ser "(...)totalmente absurdo que, em 2024, o queiram vetar devido a eventuais ligações a movimentos que tinham ligações a redes bombistas", já que relembra que Mário Soares, “a pessoa mais importante da democracia portuguesa”, amnistiou as FP-25 e quis apagar “momentos complexos que aconteceram na revolução e nas tentativas de contra-revolução”. Tudo isto podendo ser acedido na Analise política de Ricardo Costa, Sebastião Bugalho Paulo Baldaia na SIC Notícias do dia 25 de Março de 2024, decisão essa que cremos ver assumida como correcta pelos mais de 116 deputados que o elegeram como Vice-Presidente da Assembleia da República, que decorreu no dia 27 de Março de 2024.
Não acreditamos que possa haver na nossa República dois pesos e duas medidas, atendendo a que os processos das FP-25 de Abril e do MDLP foram tratados de forma completamente desproporcional e que para isso basta consultar os respectivos processos pelo homicídio de Maximino Barbosa de Sousa, conhecido por Padre Max, e Maria de Lurdes Ribeiro Correia, e as suas conclusões, cremos que não há qualquer justificação que permita o que foi feito ao Coronel Otelo Saraiva de Carvalho.
Assim concluímos que, atendendo à importância do Coronel Otelo Saraiva de Carvalho como responsável pelo setor operacional da Comissão Coordenadora e Executiva do Movimento dos Capitães; ajudando na elaboração do plano de operações com outros militares do 25 de Abril de 1974 e dirigindo as operações com outros militares, a partir do posto da Pontinha, cremos que seja motivo válido para esta justa homenagem. Ainda por mais, quando este ano celebramos os 50 anos da Revolução de Abril.
Solicitando a vossa esclarecida atenção e apelando para o Vosso sentido de justiça, que o exposto deixa adivinhar.
27 de Março de 2024.