Melhoria do Serviço da Carris Metropolitana na Área 1
Para: Excelentíssimo Senhor Presidente da Assembleia da República
O transporte coletivo rodoviário na Área Metropolitana de Lisboa apresenta muitos
constrangimentos para os utentes. Após o começo, no dia 1 de janeiro de 2023, da prestação do
serviço da Carris Metropolitana, a nova marca de transporte rodoviário de passageiros que opera
na Margem Norte do Tejo da dita Área (AML), muitos dos constrangimentos já existentes na
vigência de contratos de concessão anteriores foram intensificados e outras adversidades
espoletadas pela alteração do serviço. Consequentemente, verificou-se uma redução na qualidade
desse serviço, dificultando consideravelmente a vida dos utentes.
A Viação Alvorada, entidade privada responsável por assegurar a prestação da Carris
Metropolitana no Lote 1 (municípios de Sintra, Amadora, Oeiras, Cascais e Lisboa), não cumpre,
desde o começo da sua operação, com os serviços definidos e apresentados aos passageiros,
apelando então estes às instâncias competentes para:
1. Maior controlo da atividade da transportadora privada e do seu cumprimento na prestação
do serviço contratado;
2. Atualização das tabelas de horários físicos nas paragens dos autocarros de acordo com as
alterações feitas às carreiras;
3. Maior frequência nas linhas com muita afluência de passageiros de modo a evitar
sobrelotações, como ora se verifica nas nºs. 1612, 1613, 1622 e 1625.
4. Formação mais rigorosa aos motoristas, instruindo-os sobre questões básicas, como por
exemplo carreiras, percursos, horários, funcionamento dos validadores dos títulos de
transporte, supressões e outros aspetos básicos envolvidos pelo funcionamento deste
serviço público.
5. Menos atrasos e supressões de horários, pois que agora se verificam em praticamente
todas as linhas da Carris Metropolitana. Como paradigma estão as linhas 1213, 1245,
1246, 1247, 1248, 1249, 1250, 1523, 1612, 1622, 1623, 1624, 1625, 1626, 1629, 1630,
1632 e 1633.
6. Avisos prévios relativamente a todas as questões que comprometam a mobilidade dos
utentes, nomeadamente diminuição de viaturas em circulação, incumprimento e
supressão de horários e alterações de percursos.
7. Reavaliação dos horários de carreiras com trajetórias idênticas e reduzidas frequências,
como as nºs. 1623, 1626, 1629 e 1630, que aliam uma circulação de viaturas simultânea
a longas horas de espera pelos autocarros seguintes (que chegam também em
simultâneo).
8. Melhor fiscalização de passageiros sem títulos de transporte.
9. Maior organização dos tempos de espera, concretamente com uma melhor sinalização das
direções das filas nas paragens e nos terminais, de maneira a evitar conflitos entre os
passageiros.
10. Linhas telefónicas funcionais que tenham capacidade e as devidas informações, em
ordem a possibilitarem a devida resposta aos utentes do transporte público.
O incumprimento pela Transportes Metropolitanos Lisboa do serviço de transporte rodoviário
contratado para o Lote 1 tem vindo a provocar tensão entre os respetivos utentes, que lutam para
conseguirem assegurar os seus próprios compromissos, num tempo de crise económica durante o
qual o transporte público, enquanto garantia do direito à mobilidade dos cidadãos num Estado de Direito, devia funcionar verdadeiramente como um meio viável de deslocação e alternativa à
utilização de veículos privados carro enquanto importante ajuda no combate às alterações
climáticas.
Pese embora a tentativa de melhoria da qualidade do serviço público de transporte, o que,
enquanto iniciativa, mereceu o apoio inicial dos utentes da Carris Metropolitana, à presente data
o serviço publico de transporte nesta Área encontra-se muito pior do que antes da atribuição de
competências a essa entidade, com a subcontratação da empresa Viação Alvorada.
Urge, pois, por esta via, chamar a atenção dos Poderes Públicos, para que se debrucem sobre esta
fortíssima entropia na vida de muitos milhares de cidadãos e possam desencadear os meios de
atuação tendentes a corrigi-la, com a almejada melhoria significativa do serviço.
Pedem e esperam seguimento