Pela Bienal anozero em Santa Clara-a-Nova, Coimbra
Para: Turismo de Portugal, Câmara Municipal de Coimbra, Estado Português
De acordo com a decisão tomada pelo Conselho Municipal de Cultura de Coimbra, na sua Reunião Ordinária de 17 de Março de 2023, é posto a circular este abaixo-assinado que, depois de subscrito pelas associações culturais que compõem o referido Conselho, é agora aberto à comunidade mais vasta.
No momento atual, a Bienal Anozero é uma componente inalienável do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, em Coimbra. Enquanto bem público, a ala norte do Mosteiro esteve vedada aos/às cidadãos/ãs durante mais de um século. Fomo-nos esquecendo progressivamente que esta componente fundamental do monumento existia.
A partir de 2017, com a sua reutilização por parte da Bienal anozero, a existência e a fruição desse espaço foram, por assim dizer, devolvidas à comunidade. Agora o Estado resolveu dar sequência ao disposto no despacho conjunto das Finanças e da Defesa Nacional e, no âmbito do programa Revive, autorizar a concessão do edifício para exploração de empreendimentos turísticos, neste caso específico, um equipamento turístico de luxo.
A manutenção da presença da Bienal anozero no decurso futuro dessa concessão foi considerada uma eventualidade, está dependente de um pequeno fator de majoração pontual dos candidatos à exploração. Pode acontecer ou pode não acontecer. Mas, mesmo na eventualidade dos concorrentes à concessão hoteleira estarem interessados na manutenção da Bienal, o tempo e a área que ficam obrigados a ceder-lhe são manifestamente insuficientes. Dois meses em cada biénio, quando as edições anteriores obrigaram a uma ocupação de cinco a seis meses, dois para montagem, dois de exibição e dois de desmontagem integral, incluindo devolução de obras.
Os 600 metros quadrados contratualizados correspondem ao espaço de uma pequena/média galeria de arte, ora, a bienal habituou-nos a ocupar muito mais do que isso, na sua sempre feliz interação com a incrível espacialidade da ala norte e da cerca do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova.
A realização da Bienal anozero no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova é estratégica para a cidade, do ponto de vista da afirmação cultural sem dúvida que é, mas não só. São as próprias dinâmicas urbanas que beneficiam da realização da bienal, é a tão depauperada economia local que cresce e se aproxima das médias nacionais de produtividade.
Reconhecendo que, na circunstância atual, a identidade da Bienal é inalienável do espaço que tem vindo a ocupar desde 2017 e tendo inteira consciência da importância desta iniciativa cultural para a continuidade da fruição pública da ala norte do mosteiro, os/as conselheiros/as que integram o Conselho Municipal de Cultura de Coimbra, bem assim como todos/as os/as subscritores/as deste documento, apelam à continuidade da Bienal Anozero no espaço de Santa Clara-a-Nova para além de todas as contingências que possam vir a derivar da sua concessão, no âmbito do programa Revive.
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Actualização #1 Encerramento
Criado em 26 de maio de 2023
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