Investigar a inflação e o aumento das taxas de juro
Para: Exmo. Presidente da República e Exmo. Governo
Em 2022 e no início de 2023, os cidadãos portugueses têm conhecido um agravamento constante dos preços dos bens e dos serviços disponíveis, em diversos setores de atividade, sem que exista, à data, uma perspetiva concreta de normalização da situação. Este fenómeno de elevada (e alegadamente desenfreada) inflação tem sido o argumento utilizado pelo Banco Central Europeu, liderado por Christine Lagarde, para aumentar, de forma brusca e significativa, as taxas de juro que servem de referência à esmagadora maioria dos créditos hipotecários dos cidadãos portugueses. Em suma, perante o aumento generalizado dos preços de bens e serviços não financeiros, o sistema financeiro tem respondido, igualmente, com o aumento dos preços do (seus) serviços financeiros, com o argumento de que, desta forma, combaterá o primeiro aumento.
Considerando esta explicação periodicamente lembrada pelos Órgãos de Comunicação Social, venho solicitar ao Exmo. Presidente da República e ao Exmo. Governo que procedam à criação de uma Comissão de Peritos Independentes, com membros da Ordem dos Economistas, da Ordem dos Contabilistas Certificados e da Ordem dos Revisores Oficiais de Contas, com as seguintes finalidades técnicas:
- investigar as origens dos aumentos generalizados dos preços nos setores de atividade mais atingidos, no sentido de apurar se existe especulação ou concertação de entidades, grupos ou setores de atividade;
- apurar o real impacto do aumentos das taxas de juro determinados pelo Banco Central Europeu no controlo da inflação, bem como nos resultados económicos dos bancos em 2022 e 2023 em Portugal;
- informar os cidadãos portugueses se a medida de aumento contínuo das taxas de juro é realmente adequada e justificada em termos técnicos, se é verdadeiramente eficaz no seu propósito único de controlo da inflação atual e, finalmente, se é justa para as famílias e empresas portuguesas, considerando a sua responsabilidade (ou ausência dela) no aumento dos preços.
Neste sentido, apelo à participação da sociedade civil portuguesa na subscrição urgente desta petição para tentar contrariar uma tendência muito preocupante de agravamento das condições económicas das famílias e das empresas já no curto prazo, por motivos mal explicados de formação de preços do lado da oferta.