Exige-se um pronunciamento público do Embaixador dos EUA em Angola
Para: Embaixada dos EUA, Angolanas e Angolanos, Diásporas Africanas, Partidos Políticos, CNN
Excelência Senhor Embaixador Tulinabo S. Mushingi, antes de mais, permitam-nos desejar-vos calorosas boas vindas à Angola e felicitar-vos por dar início as responsabilidades como o mais alto representante da diplomacia Americana com a entrega das Carta Credenciais ao Presidente João Manuel Gonçalves Lourenço a 9 Março de 2022.
Estamos lembrados que neste dia o Senhor Embaixador afirmou, publicamente, que os Estados Unidos pretendiam aumentar relações com Angola em sectores da segurança, economia e boa governação, assim como continuar a trabalhar juntos nas prioridades comuns, para que se continuem a produzir resultados que sejam benéficos para ambos povos.
Angola foi no passado o palco de guerras fratricidas que ceifaram vidas de Angolanas e Angolanos; destruíram infraestruturais e atrasaram as aspirações do desenvolvimento sustentado e harmonioso.
Somos jovens, portadores de testemunhos, de como o nosso país se converteu em campo de batalha ideológica entre potências globais durante a Guerra Fria. Enquanto, potências ocidentais, lideradas pelos Estados Unidos, defendiam uma ordem mundial configurada na democracia liberal e na economia de mercado, a ex-União de Repúblicas Soviéticas Socialistas (URSS), em contrário, propôs ao mundo a ideologia Marxista-Leninista e economia planificada.
A influência e os impactos da Guerra Fria continuam a ser, amplamente, percetíveis até hoje, volvidos quase 33 anos da queda do Muro de Berlim, um evento histórico que marcou o princípio do colapso da URSS. A queda do Muro de Berlim trouxe uma lufada de oxigénio fresco na consciência bipolar das potências conflituantes e seus aliados em África.
Em Angola, os Acordos de Bicesse, em 1991, forçaram o MPLA a aceitar uma moldura organizacional e institucional sustentada no estado democrático e de direito e na economia de mercado – valores liberais pelos quais se bateu a UNITA sob a liderança de Jonas Malheiro Savimbi – de feliz memória!
Angola realizou as primeiras eleições legislativas e presidenciais em 1992.
Excelência Senhor Embaixador, apesar de passados 30 anos de experimento da democracia, quando muitos de nós nem sequer tinham ainda nascido, temos razões mais do que suficientes para concluir que, o regime partido-estado do MPLA, que sobreviveu a Guerra Fria, continua a erguer múltiplos muros de Berlim, em Angola, bloqueando as nossas legítimas aspirações por uma Angola, verdadeiramente, democrática, pacífica e desenvolvida.
Deste modo, nós, jovens acreditamos que Angola continua a espera da queda para crermos que, em Angola, nosso país, ainda está por acontecer a desintegração do modelo comunista que estrutura e orienta o MPLA – partido que se tem mantido no poder desde de 1975.
A governação do MPLA em mais de 46 anos de Independência do nosso país, tem comportamento próprio de um regime autocrático competitivo, competitive authoritarianism – emprestando o conceito de Timothy Colton, o cientista político Americano Timothy Colton. Deste modo, a governação do MPLA se caracteriza viciosamente pela:
1) Subversão dos procedimentos da sã competitividade, porque persistentemente busca a legitimidade política mais na fraude e corrupção eleitoral, do que pela soberania popular exercida através do sufrágio universal, livre, igual, direto, secreto e periódico;
2) Práticas obsoletas da partidarização do estado, que põe em risco permanente o Interesse Nacional e a garantia da Segurança Coletiva;
3) Aniquilamento das liberdades de expressão, manifestação e de imprensa, através da promoção de prisões arbitrárias e orquestradas por meio de artifícios judiciais montados com o propósito único de perseguir e criminalizar as diferenças de pensamento, de opinião e de um projeto inclusivo de Estado que seja, verdadeiramente, livre, justo, democrático, solidário, desenvolvido, de paz, de reconciliação e tolerância;
4) Guerra desinformação permanente contra todas e todos, através do culto quase-sagrado da mediocridade mediática, onde a mentira e distorção intencional dos factos vale muito mais, do que o direito de informar os cidadãos com verdade, isenção, imparcialidade e o contraditório;
5) Personalização da justiça que tem convertido tribunais superiores como o Tribunal Constitucional em mero sipaio judicial à mercê dos caprichos, delírios e devaneios da nova autocracia democratizada;
6) Privatização dos recursos nacionais tem, por um lado contribuído para o aprimoramento das técnicas da acumulação ilícita do capital, o que tem ajudado a criar uma oligarquia obscura e fechada em fortalezas douradas de luxo, opulência e conforto – em detrimento de mais 95% de Angolanas e Angolanos que vivem destituídos do mais básico para sua sobrevivência.
Em 2009, o então presidente da República José Eduardo dos Santos afirmou em público que depois da guerra civil, a corrupção passou a ser o mal maior que, na verdade, nos tem roubado até a liberdade de sonhar por um país com paz social e desenvolvimento para todos – velhos, adultos, jovens e crianças.
O governo do MPLA tem sido o “gatuno” mais próximo dos nossos sonhos e aspirações. Tínhamos a esperança de que o governo do presidente João Manuel Gonçalves Lourenço, haveria de combater a corrupção, implementar as autarquias locais e criar 500.000 empregos.
Contrariamente, o que vemos, são promessas fracassadas de um governo que vai defendendo e criando novos corruptos, a céu aberto.
Excelência Senhor Embaixador, preocupa-nos o facto que Angola esteja a competir na liga dos campeões dos países mais corruptos do mundo. Significa que esse mal continua a ser devastador para todos angolanos.
Preocupa-nos, sobremaneira, que no passado dia 26 de Junho de 2022, na Cimeira do G7, o Presidente Biden anunciou que a sua Administração vai investir cerca de USD $ 2 mil milhões para o sector da tecnologia solar em Angola.
Esta medida tem valor por aquilo que pretende atingir, enquanto visão centrada na grande estratégia BBBW da Administração Biden – Build Back Better World (BBBW) – Construir de volta um mundo melhor!
Contudo, vivemos momentos de eleições, onde as nossas esperanças pela ALTERNÂNCIA por via das eleições livres, justas e transparentes, estão a ser – mais uma vez – ameaçadas pelas tecnologias da fraude, onde a CNE e o Tribunal Constitucional são tidas como estando ao serviço do partido-estado.
Senhor Embaixador, o mais recente anúncio do Presidente Joe Biden tem sido, vastamente, explorado pela propaganda mediática do partido-estado como sendo sinal de apoio inequívoco da Administração Biden a João Manuel Gonçalves Lourenço, candidato do partido-estado MPLA.
Tendo a propaganda da media estatal ao serviço do MPLA, difundido esta mensagem para os angolanos, vimos, por este meio, pedir a Sua Excelência Senhor Embaixador uma nota pública de esclarecimento sobre:
a) Que custos e sacrifícios teremos – mais uma vez – que suportar, para que a vitória do MPLA continue a ser tida como uma oportunidade de maximização dos lucros para as multinacionais americanas?
b) Que benefícios – a médio ou longo prazo – a Administração Biden acha, traria uma tecnologia solar num contexto onde a corrupção rouba aos angolanos os seus direitos a ter um sistema nacional de saúde e educação acessíveis a todos; onde falta água potável, emprego e saneamento básico?
Senhor Embaixador, nós cremos que será vender utopias e enganos esperar que se torne realidade o ideal da BBBW em Angola e muito menos desejar que este investimento bilionário anunciado para Angola produzirá resultados que sejam benéficos para ambos povos – Angolanos e Americanos!
É tudo e muito agradecemos pela atenção dada.
Luanda, 30 de Junho de 2022.
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