Pelo Bloco B
Para: Exma. Sra. Presidente da Câmara Municipal de Matosinhos
Temos um edifício novo, prestes a ser inaugurado, por que há muito esperávamos, e que cumpre com muitos dos nossos desejos e necessidades.
No entanto, atingido este objetivo, não podemos ficar indiferentes às potencialidades que os Blocos ainda em funcionamento nos oferecem e que o atual edifício não contempla.
Ao preservar-se um dos Blocos – o Bloco B –, teríamos condições para:
1. Continuar a proporcionar uma sala atribuída a cada turma com as evidentes vantagens para o horário dos alunos (preferencialmente de manhã para todas as turmas) e consequentes implicações no seu rendimento escolar (o novo edifício tem uma redução próxima de 50% de salas);
2. Manter os espaços e as valências existentes para os alunos do Centro de Apoio à Aprendizagem (alunos com perturbação do espectro de autismo e alunos com multideficiências e outras patologias);
3. Manter em funcionamento as atuais valências da escola que o novo edifício não contempla por falta de espaço, como por exemplo, as salas para o movimento associativo dos alunos e dos encarregados de educação, os laboratórios de Matemática e de Línguas, sala específica de Fotografia e a oficina de Informática.
4. Ter espaços para arrumação de materiais e equipamentos essenciais ao normal funcionamento da escola – condição não existente no novo edifício;
5. Garantir a acomodação do espólio físico e afetivo da escola e a sua digna valorização e divulgação;
6. Ter espaços livres que permitam o desenvolvimento de atividades dos projetos existentes na área científica, ambiental, tecnológica, cultural e artística, que proporcionem experiências significativas na vida extracurricular dos alunos.
Para além do enunciado, o projeto cultural da escola prevê realizar concertos/espetáculos com abertura à comunidade, assim com dar apoio às estruturas artísticas locais podendo acolher residências artísticas.
Se o investimento necessário à reabilitação do espaço (Bloco B) se afigurar como um obstáculo à sua conservação, concordamos com a proposta aprovada no Conselho Geral da Escola Secundária da Boa Nova – Leça da Palmeira, no dia vinte e quatro de março de 2022, de se manter um dos edifícios por um período experimental de, pelo menos, dois anos, sem qualquer investimento público, findos os quais se poderá fazer uma avaliação que permita tomar a decisão de o demolir ou não.
Se a decisão passar pela demolição, que seja ponderada e partilhada. Só depois da vivência plena de atividade, no novo edifício, será possível avaliar as suas potencialidades e limitações, mas há, desde já, evidências de falta de espaços, designadamente se queremos uma escola onde os alunos gostem de ficar depois do tempo letivo, para participar em atividades e/ou clubes (Teatro, Ciências, Dança, Música, entre outros).
O novo edifício não tem espaços para o funcionamento pleno dessas áreas, importantes desde sempre, mas muito mais numa escola do século XXI, que se quer assumir enquanto referência para a comunidade como polo cultural e científico.
Posto isto, a questão que se coloca é:
O que fazer ao Bloco B?
Demolir ou transformar num polo educativo, criativo e inovador?
A demolição é um processo irreversível. A revitalização, pelo contrário, permite criar um espaço não convencional, alternativo, potenciador de inovação, ao serviço da comunidade. É também sinónimo de preservação da memória, economia de recursos e sustentabilidade. Pelo contrário, ao demolirmos este património, enquanto comunidade educativa e aprendente, estamos a hipotecar a possibilidade de um desafio para a criatividade.
Não à demolição do bloco B!