Instituição da Celebração do Dia de Ação de Graças
Para: Ex.mo Senhor Presidente da Assembleia da República
Ex.mo Senhor Presidente da Assembleia da República,
Aos Deputados da Assembleia da República,
Junto com a presente carta, temos a honra de proceder à entrega formal na Assembleia da República da Petição Nacional “Instituição da Celebração do Dia de Ação de Graças”, a fim de ser apreciada pelos Deputados, nos termos da Constituição, da lei e do Regimento, no quadro já da XIV Legislatura.
O nosso objetivo é iniciar a celebração deste dia sempre na 4ª quinta-feira do mês de novembro de cada ano, à semelhança do que acontece nos Estados Unidos.
Entendemos que o nosso país, de matriz judaico-cristã, deverá ter este dia como princípio básico de gratidão de tudo que Deus nos dá ao longo do ano.
Esta celebração anual chamada “Celebração do Dia de Ação de Graças” foi inspirada diretamente na comemoração que era realizada pelo povo judeu de agradecimento por todas as benesses concedidas por Deus, consubstanciadas na prosperidade da colheita daquilo que fora semeado ao longo do ano, e assim também ficou conhecida como “Festa da Colheita”. Era nessa festa que o povo chamado “eleito” do Senhor, realizava as entregas das primícias ou primeiros frutos a Deus (Êxodo 23:16 e Números 28:26), e por isso, também ficou conhecida como “Festa das Primícias” ou do “Tabernáculo”.
No mundo ocidental, esse feriado nacional é celebrado sobretudo nos Estados Unidos da América e no Canadá. Neste dia, é tradição as famílias norte-americanas ajuntarem-se em casa — tal como no Natal — para partilharem uma refeição em conjunto (habitualmente peru).
Antes, já eram comuns as celebrações de agradecimento a Deus em vários locais do império britânico. Porém no ano de 1621 nos Estados Unidos, uma plantação na colónia de Plymouth, no estado do Massachusetts, deu origem a uma colheita particularmente boa. Os festejos foram testemunhados pelos chamados “Pais Peregrinos”, os primeiros colonizadores daquela região, oriundos de congregações religiosas britânicas ligadas aos ideais calvinistas.
Dois anos depois, na sequência de uma nova temporada de boas colheitas, os Pais Peregrinos organizaram uma celebração religiosa de agradecimento a Deus. Esta comemoração está associada ao nascimento do feriado atual, que foi oficialmente instituído pelo primeiro presidente dos Estados Unidos, George Washington, em 1789.
Esta é, claro, uma das explicações históricas para a origem do feriado. Os espanhóis, por seu turno, reclamam para si a verdadeira origem da celebração. Como conta o jornal ABC, já pelo menos em 1565 e em 1598 os colonizadores espanhóis, que chegaram sobretudo à América do Sul e Central, tinham realizado celebrações de ação de graças semelhantes, no território onde agora se localizam os EUA, e que os britânicos haveriam de conquistar mais tarde.
A efeméride tem uma origem religiosa, mas é atualmente celebrada por todos, independentemente das suas crenças. Além da grande reunião familiar à volta do tradicional peru, tal como no Natal, há um conjunto de iniciativas solidárias que estão associadas à Ação de Graças, sobretudo distribuição de refeições aos mais carenciados.
A dimensão religiosa que esteve na origem do feriado não é, contudo, esquecida. São muito frequentes as celebrações religiosas neste dia, destinadas a agradecer a Deus pelos mais diversos motivos — como pela família ou pelo ano que passou. Outra forma é a oração antes da refeição, realizada sempre pelas famílias no jantar de Ação de Graças.
Assim e essencialmente, essa celebração tem como um dos seus principais aspectos, a componente emocional da gratidão pessoal. Sim, assim como na festa celebrada no Natal e na Páscoa, em que somos agradecidos a Deus pelo nascimento do Salvador do mundo e pelo sacrifício desse Salvador (Jesus) na cruz do calvário, respectivamente, concedendo-nos a vida eterna, o dia de “ação de graças” incentiva-nos a separarmos um dia do nosso ano para agradecermos ao mesmo Deus por todas as “colheitas” que logramos e que são decorrentes dos nossos esforços no trabalho, na família, na vida social e nas mais diversas realizações.
A introspeção nesse momento reflexivo proposto e refletido, como na instituição do dia de ação de graças, certamente conduzirá nossa nação a expressar de maneira virtuosa o amor fraterno e a solidariedade, aspectos característicos tão marcantes na alma do povo Português.
Não podemos olvidar também que, ao estudarmos a Bíblia, desde o Antigo Testamento, encontraremos mais de 50 referências à gratidão. Sim, devemos ser gratos por tudo o que Deus é e por tudo o que Ele tem feito e faz. O Deus Criador possibilitou tudo o que foi referido anteriormente. Merece ser reconhecido e louvado por isso. «Sabei que o Senhor é Deus: foi ele, e não nós, que nos fez povo seu e ovelhas do seu pasto. Entrai pelas portas dele com ações de graças, e nos seus átrios com hinos de louvor; rendei-lhe graças e bendizei o seu nome. Porque o Senhor é bom, e eterna a sua misericórdia; e a sua fidelidade estende-se de geração em geração.» (Salmos 100:3-5).
Igualmente, no Novo Testamento, a gratidão também é referida mais de 50 vezes. Incentivando-nos a sermos sempre gratos por todas as coisas. Não é raro sentirmo-nos gratos quando as coisas na vida correm bem, mas mesmo os momentos de sofrimento e adversidade podem proporcionar motivos para darmos graças — nem que seja só em retrospetiva. «Regozijai-vos sempre. […] Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus, em Cristo Jesus, para convosco.» (I Tessalonicenses 5:16-18).
Assim, os subscritores da presente petição apelam à Assembleia da República para que delibere a “Instituição da Celebração do Dia de Ação de Graças” na 4ª quinta-feira do mês de novembro de cada ano.