Carta aberta ao BE e ao PCP
Para: Bloco de Esquerda; Partido Comunista Português
Somos eleitores do BE e do PCP e, como tal, iremos continuar nas próximas eleições de 30 de Janeiro de 2022.
Entre 2011 e 2015, sofremos na pele a política assassina do Governo PSD/CDS. Saímos à rua para a combater. Nesses combates encontrámo-nos sempre. Nós, eleitores do BE e do PCP.
Em 2015, e apesar de não nos termos esquecido do que foram muitas das políticas dos Governos do PS, ao longo de décadas, acreditámos que uma convergência de Esquerda com uma Esquerda forte que conseguisse impor ao PS políticas de recuperação de rendimentos e de direitos e que contribuísse para uma maior justiça social era possível. Por isso, assistimos, com entusiasmo e esperança, à assinatura dos compromissos políticos que permitiram a tomada de posse do Governo de António Costa.
Cedo percebemos que, em questões fundamentais, do Trabalho à Saúde, dos apoios sociais à escola, o PS se unia à Direita votando contra as propostas dos Partidos que lhe sustentavam o Governo e defraudando as expectativas dos trabalhadores do sector público, dos pensionistas, dos jovens cada vez mais precários, dos trabalhadores do sector privado que não viam repor direitos perdidos e que viam caducar os seus Contratos Colectivos de Trabalho, dos profissionais da cultura, dos doentes e dos profissionais da Saúde, das pessoas com deficiência, dos pobres.
Cedo percebemos também que a Esquerda Parlamentar estava a ser incapaz (ou a não querer) trazer a luta para a rua, sequer para apoiar as suas propostas,
Em 2019, o PS deu uma machadada na solução governativa que lhe permitiu ser Governo, recusando-se a assumir compromissos com os seus "aliados". A arrogância e intransigência de António Costa e do seu Governo acabou por consumar o seu fim com a apresentação do OE para 2022.
Apesar deste caminho comum no Parlamento, em que, tal como escrevíamos em 2011, "a esquerda, apresenta diagnósticos e políticas alternativas que revelam assinalável convergência, não obstante naturais diferenças nalgumas soluções concretas", a Esquerda, à Esquerda do PS, teimou em manter-se acantonada, de costas voltadas, alimentando desconfianças e não dando nenhum passo concreto para encontrar qualquer convergência que lhe pudesse dar mais força nas negociações com o PS, primeiro, e, agora, na saída para esta situação política.
Conscientes de que os caminhos continuam a não ser fáceis, até porque tem faltado vontade de os trilhar, nós, eleitores do BE e do PCP, apelamos:
- ao Bloco de Esquerda e ao Partido Comunista Português para que, em conjunto, ouvindo os movimentos sociais e as organizações de trabalhadores, apresentem um programa mínimo de reivindicações e de medidas que tenham que ser cumpridas num futuro Governo, assumindo que a existência de um Governo e de políticas de Esquerda serão a garantia de um combate eficaz ao crescimento da extrema direita e ao regresso da Direita ao Poder e que, ultrapassando divergências, respondam, finalmente, aos anseios não concretizados do 25 de Abril e restituam a esperança que a mudança é possível.
Poderão contar com o nosso voto e com a nossa luta. Nós contamos com a vossa disponibilidade para nos ouvir e para nos representar no Parlamento, na luta pelo Pão, pela Saúde, pela Liberdade, pela habitação e pela Educação. Para todos. E em conjunto.