Pela reabertura das praias em Moçambique
Para: À Comissão Técnica Científica (CTC) de combate prevenção da COVID 19
Ex.mos Senhores/Senhoras
Comissão Técnica Científica (CTC) de combate e prevenção da COVID 19
Os signatários da presente carta vêm por este meio dirigir-se publicamente a V.Excias no intuito de expressar a nossa profunda preocupação pela medida anunciada pelo Ex.mo Presidente da República e tornada lei pelo Decreto 86/2021 de 25 de Outubro de 2021, que determina a interdição do uso de um número expressivo de praias do território nacional.
Acreditando que esta medida deveria ser alvo da atenção da Comissão Técnica Científica, os signatários colocam à vossa consideração os seguintes pontos:
1. SOBRE O PERIGO DE PROPAGAÇÃO DA COVID 19 NAS PRAIAS
Sendo as medidas de contenção da COVID 19 destinadas a evitar a contaminação simultânea de pessoas de forma a evitar o colapso das unidades sanitárias, apraz-nos fazer as observações que se seguem:
As evidências científicas disponíveis e bem documentadas, bem como os pressupostos que levam a considerar os locais de actividades de risco para a contaminação, sugerem inequivocamente que as praias, por razões como as de se tratar de um ambiente espaçoso e ao ar livre, são um local de muito baixo risco.
Em consonância com este postulado, verifica-se que os dados específicos de Moçambique não demonstram claramente uma relação entre as vagas da pandemia e a utilização das praias como locais de convívio. Embora não existam estudos específicos sobre o contributo desse convívio nas praias para a ocorrência de casos de COVID 19, parece razoável admitir que, a existir, não é certamente o factor determinante. Em comparação com os transportes públicos ou os mercados, não nos parece provável que as praias tenham um papel de relevo na propagação da COVID 19, por vários motivos: por um lado, este convívio não acontece todos os dias; por outro lado, trata-se de um convívio ao ar livre e não em lugares fechados, como acontece nos transportes públicos. A ausência de subida de casos depois das enchentes registadas recentemente em várias praias do país parecem provar esta análise.
2. SOBRE A IMPORTÂNCIA DAS PRAIAS
As praias constituem um local privilegiado de recreação e lazer, com um potencial incalculável na promoção da saúde e bem-estar dos cidadãos. Sendo um local ao ar livre e provido de radiação solar, são inúmeras as vantagens ao nível da saúde social, fisiológica e psicológica da população. Por outro lado, as praias constituem provavelmente o maior potencial turístico que possuímos, implicando um avultado volume de negócios com enorme impacto no emprego e rendimento de milhares de famílias.
Considerando o baixo risco para a propagação da Covid 19 no convívio nas praias, e considerando os elevados prejuízos para a saúde pública e bem-estar dos cidadãos, assim como para a economia do país, vêm os signatários apelar à abertura das praias. Reconhecendo que o comportamento cívico em algumas praias tem sido nefasto e inaceitável julgamos contudo, que o momento constitui uma oportunidade para o desenvolvimento de um plano de educação cívica para o cumprimento de regras de convivência social saudável, incluindo as medidas de contenção da pandemia. Assim, os mesmos meios que se têm utilizado para fazer cumprir o uso das praias poderiam ser usados para impor a sua correcta e cívica utilização.