Boicote Político aos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim 2022
Para: Presidente da Assembleia da República,
Kunchok Jinpa, um guia turístico tibetano, faleceu no dia 6 de fevereiro devido a uma hemorragia cerebral após ter passado sete anos numa prisão chinesa. Ele faleceu no hospital completamente sozinho, sem a família ao seu lado porque as autoridades chinesas não a notificaram do seu estado crítico.
O tratamento cruel e desumano exercido pelo governo chinês sobre as pessoas tibetanas tem que terminar e nosso Governo não pode permitir que a China continue impune.
Kunchok Jinpa é apenas um de uma série de pessoas tibetanas recentemente falecidas devido a tratamentos brutais sofridos em prisões chinesas. Em janeiro, Tenzin Nyima, com apenas 19 anos, foi espancado até à morte pela polícia chinesa, após ter participado num protesto pela independência do Tibete.
Os Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim 2022 acontecerão no contexto de uma das maiores repressões mundiais sobre a liberdade, a democracia e os direitos humanos. A China será a anfitriã e utilizará essa oportunidade para disfarçar os reiterados e tremendos abusos ao nível dos Direitos Humanos.
Pelo menos dois milhões de pessoas uigures, cazaques e uzbeques se encontram detidas em "campos de re-educação", onde sofrem torturas sistemáticas e são alvos de violações e re-educação patriótica.
O Tibete sob ocupação ilegal é o pior país no mundo em termos de direitos humanos, lado a lado com a Síria.
Em Hong Kong, o governo chinês implementou uma lei draconiana, a Lei de Segurança Nacional, que efetivamente criminaliza o protesto e reprime outros direitos humanos.
Protestos por parte de Mongóis do Sul, cujos direitos, língua e cultura estão a ser erradicados, continuam a ser fortemente reprimidos.
Detenção e desaparecimento de inúmeras pessoas chinesas, desde advogados, a feministas e ativistas.
Intimidação e assédio geopolítico sobre Taiwan e agressão, bem como expansão para além das suas fronteiras - no mar do Sul da China e na fronteira Indo-Tibetana - refletem uma clara ameaça à segurança regional e global.
Ao assinar esta petição está a unir-se ao crescente apelo mundial visando o boicote político dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim 2022, traduzido na ausência total de representação diplomático-governamental por parte de Portugal.
O inverso será encarado como um apoio à brutal repressão e ao flagrante desrespeito pelos Direitos Humanos por parte do governo chinês.