Fernando Pessoa no Dia de Portugal
Para: Todos os Portugueses
O dia 10 de junho foi escolhido em honra de Camões, que teria falecido nesta data, no ano de 1580, depois de nos legar o relato épico da nossa grande aventura marítima - Os Lusíadas - onde Portugal assume o protagonismo de um diálogo entre países, povos e culturas. Deste modo, Camões “iniciou um inteiro povo nessa inultrapassável ciência de navegação interior que é a poesia" (Card. Tolentino de Mendonça, O que é amar um país, 2020).
Não obstante o lugar de destaque assumido pela obra camoniana, a maioria dos autores de língua portuguesa permanece, lamentavelmente, desconhecida do público estrangeiro, com a notável exceção de Fernando Pessoa, um dos maiores vultos literários do séc. XX. Expoente máximo da modernidade poética, Fernando Pessoa é, com efeito, o único português que integra a lista dos nomes incontornáveis do Cânone Ocidental (Harold Bloom, O Cânone Ocidental, 1994).
Fernando Pessoa, o poeta dos heterónimos, multiplicou-se em vários, descentrou-se em outros, representando, melhor do que qualquer outra figura da nossa história, a consciência e o pluralismo da verdadeira portugalidade. De modo que, na atualidade, “falar de Pessoa é falar de Portugal (…) Cultural e simbolicamente, hoje Pessoa é Portugal” (Eduardo Lourenço, Pessoa e Portugal e Portugal e Pessoa, 2007).
Sugerimos, assim, a alteração da designação do Dia Nacional, comemorado a 10 de junho para Dia de Portugal, de Camões, de Pessoa e das Comunidades Portuguesas. A inclusão do nome de Pessoa na designação do Dia de Portugal representaria um justo reconhecimento pela dimensão da sua obra - que o coloca a par do seu émulo - evidenciando a sua consagração na mitologia cultural do nosso país.