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Pela inclusão da Quinta da Serra no projeto da ALEB e pela sua classificação como monumento local e nacional

Para: Exma. Sr.ª Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Alcobaça; Exmo. Sr. Presidente da Assembleia Municipal de Alcobaça,

As obras da Área de Localização Industrial da Benedita (ALEB), uma nova zona industrial no concelho de Alcobaça, começaram no ínicio deste Maio, 2021, nos terrenos da antiga Quinta da Serra. Uma das primeiras fases é o trabalho arqueológico, pois existem ali as ruínas da referida quinta, a qual teve uma importância muito significativa para as pessoas desta freguesia, existindo ainda quem se lembre bem dela, inclusivamente se lembre da exisitência de uma capela muito bela, a qual foi demolida em décadas anteriores.

No decorrer dos trabalhos arqueológicos, os quais ainda não terminaram, verificou-se que além da Quinta da Serra ter estruturas e disposição em planta semelhantes a outras Granjas Cistercienses, ficou evidente a presença de um arco triangular de estilo medieval ou vernacular, bem como a existência de paredes com mais de um metro de espessura. Com a identificação deste elemento secular e o facto desta quinta não vir referenciada na bibliografia, é essencial preservar e estudar este edifício histórico, pois coloca em evidência toda uma história desconhecida.

Quanto à semelhança com as Granjas Cistercienses, verifica-se que a construção ou remodelação como Granja data de pelo menos 1730, indicação existente em placa sobre a entrada do Lagar. Estas granjas estavam espalhadas pelos territórios geridos pelos monges cistercenses, contudo, a Quinta da Serra encontrava-se fora dos Coutos de Alcobaça, pertencendo à região se Santarém. Urge estudar esta quinta, pois aparenta ser mais antiga que algumas das cistercienses. De acordo com a bibliografia encontrada, os elementos que compoem a Quinta da Serra em tudo são semelhantes aos das outras Granjas, nomeadamente a Granja (ou Quinta) de Vale de Ventos, localizada a cerca de 5,5 km a norte da Quinta da Serra, e a Granja do Vimeiro (concelho de Alcobaça), ambas estudadas pela Professora Maria do Céu Simões Tereno (Universidade de Évora). Os elementos que tornam a Quinta da Serra semelhante às referidas são a planta, que é identica às já estudadas, o patio central em quadrado ou em rectangulo, rodeado de edifícios agrícolas e lagar circundantes, com cisterna de água, e o elemento de assinatura marcadamente Cistercience: a capela integrada no edifício. Infelizmente, esta capela foi demolida em anos anteriores ao início de todo o processo da ALEB.
http://aterramagicadaslendas.blogspot.com/2021/05/visita-quinta-da-serra.html.

Existem beneditenses que valorizam muito o seu património e já viram serem demolidos ou desvalorizados importantes monumentos históricos, como seja a Igreja paroquial de portal gótico, com centenas de anos (demolida), e a Fonte da Senhora (desvalorizada e algumas partes destruídas). Com a construção da ALEB, está em risco a perda de mais um elemento da história, no entanto, é possível uma alternativa. Este conjunto de pessoas tem feito esforços para sensibilizar os decisores locais e municipais de que, com uma pequena alteração ao projeto, é possível não demolir o que resta deste passado, tão relevante e ainda não estudado, e simultaneamente integrá-lo nas funcionalidades da ALEB. Além disso, ocupa uma pequena área do total da ALEB, sendo que, com a referida alteração é possível recuperar os elementos patrimoniais (ex.: Lagar, eira, pombal, fornos de cal, chavanca ou reservatório de água, entre outros) e com a sua revitalização podem mesmo integrar o espaço indústrial.

Esta petição procura, essencialmente, que a Quinta da Serra seja alvo de estudo para uma classificação da Quinta da Serra como património local, pois há indícios muito fortes para a existência de possíveis elementos medievais, ou vernaculares, contemporâneos ou mesmo anteriores às Granjas Cisterciences. De referir que uma quinta com três séculos e com indícios de ter muitos mais é parte do património histórico e cultural, local e regional, e é fundamental para entender a história da região, a que se conhece e a que se desconhece (ex.: na bibliografia, há referência de que em 1500 já existia um foro atribuido ao Casal do Guerra, o qual pertencia a Santarém). Portanto, é essencial preservar para se poderem realizar mais estudos. Além disso, com a possível requalificação com granja agrícola secular verifica-se uma relação com as granjas do Mosteiro de Alcobaça, o qual é património mundial (UNESCO) e suscita bastante interesse. Por todos estes factos, este local adquire uma importância histórica inegável, e mais pertinente se torna o seu estudo. Para tal é necessário que o projeto seja corrigido, uma vez que as autoridades competentes descuraram a inclusão deste edifício histórico no projeto.

Compreende-se que a população anseie pela zona industrial, um projeto com décadas de atraso, mas os edifícios da Quinta da Serra ocupam uma pequena área, pelo que não há razão lógica para que não possam coexistir simultaneamente, conciliando o património histórico e o desenvolvimento indústrial. As opções são diversas e poderão existir mais: o Lagar pode dar origem a um centro interpretativo, a um espaço de escritório, ou quiçá, integrar os serviços administrativos da ALEB; a eira, pode servir como zona de descanso e lazer; a chavanca pode ser reaproveita para a atual funcionalidade, ou seja, reter águas, sendo que uma certa biodiversidade já lá está instalada; o arco ou pórtico, como elemento crucial nesta descoberta, poderá ser simplesmente contemplado. Outras opções poderão surgir, desde que os elementos não sejam destruídos.

http://aterramagicadaslendas.blogspot.com/2021/05/sos-patrimonio.html

Ainda para mais, com o estudo e a ser comprovado e preservado, a Quinta da Serra poderia também fazer parte da futura rota turística dos Coutos de Alcobaça, e assim, a Benedita poder-se-ia orgulhar, não só da sua componente indústrial, mas também de ter em sua posse um edifício histórico secular com pelo menos 300 anos (e com suspeitas fundadas que terá bastante mais) e que faz parte da história regional, podendo ser integrada nas rotas turísticas dos Coutos de Alcobaça, património mundial (UNESCO), das Salinas de Rio Maior e do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, devido à sua proximidade local.



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Pela inclusão da Quinta da Serra no projeto da ALEB e pela sua classificação como monumento local e nacional, para Exma. Sr.ª Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Alcobaça; Exmo. Sr. Presidente da Assembleia Municipal de Alcobaça, foi criada por: Fórum Terra Mágica das Lendas, CRL.
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