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Cabelo grande não é sinónimo de delinquência!

Para: Ministério da educação

V. Exa. Senhora Luísa Maria Alves Grilo
A mensagem é direcionada para si!
O erro do ser humano nunca esteve na sua maneira de se apresentar. Porquê nos incutir agora regras e limites para se apresentar nas escolas?
Será que o meu penteado ou corte de cabelo pode definir quem sou?
Acredito que não, em um país desenvolvido esse não seria um problema, um país africano que proíbe principalmente os negros de criar cabelos ou fazer cortes, mas não impede pessoas mais claras de fazê-lo?
Até quando é que viveremos assim?
Peço que assinem essa petição de forma a mudar a visão das pessoas do nosso país !
Lembrar que em 2015/07/07, a proibição do uso de cabelos compridos nas instituições de ensino tinham causado polémica entre alunos, encarregados de educação e directores de escolas, em Luanda. O caso mais recente ocorreu no Instituto Médio Técnico São Benedito, na rua Nelito Soares (também conhecida como “Bês”), que impediu os estudantes de frequentarem as aulas com as madeixas compridas.

A activista Lúcia da Silveira, da Associação Justiça Paz e Democracia, é mãe de um dos alunos que teve que cortar os cabelos. Para a responsável, a atitude da direcção foi inesperada. Segundo ela, no acto da matrícula os pais receberam apenas um regulamento informando que os cabelos dos alunos “devem estar bem penteados”, o que, em seu entender, abre espaço para múltiplas interpretações.

“Eu posso entender isso de várias formas. É uma questão de preferência. Se eu optar pelo uso do meu cabelo natural não posso ser discriminada. É uma questão de escolha e todos sabem que o cabelo afro cresce para cima”, critica.

Jaime Gomes, 19, há três anos estuda no São Benedito e alega nunca ter tido problemas até ao fim de Maio. De acordo com o jovem, não houve mudanças na directoria, e sim nas regras.

“Eles publicaram uma circular num mural no rés-de-chão. Estava escrito que a partir do dia 28 de Maio, os alunos deveriam ter os cabelos cortados. Não tinha visto o aviso. Fui com o cabelo grande, normalmente, mas barraram a minha entrada”.

Como naquela semana teria provas, Jaime disse que optou por cortar os cabelos para não ser prejudicado. O filho de Lúcia revela ainda que não ocorreu nenhum incidente na escola para que a direcção mudasse de postura.

“Não aconteceu nada. Não deram uma razão pela qual estão a fazer isso”, lamenta. “Sinceramente, não tem grande impacto para mim. Cabelo é só cabelo e vai voltar a crescer, mas no momento que me privam da minha liberdade passa a ser discriminação. E isso o que me incomoda”.
E 6 anos depois, em 2021 volta a acontecer o mesmo. Estudante impedido de entrar na escola por ter cabelo comprido.

O jovem Adilson Kanuko, residente na província da Huíla e estudante da 11ª classe da Escola do Magistério "Comandante Liberdade”, está a ser barrado de entrar na instituição e fazer as provas, porque, supostamente, o seu cabelo “é uma porta para o desrespeito" fazendo dele "um potencial delinquente”.

Segundo conta o professor e ativista cívico “Mwene Vunongue”, a mãe do rapaz dirigiu-se à escola para explicar as razões que o impedem de cortar o cabelo, porém, a direção negou, afirmando que está na lei.

Finalizando, o corpo diretivo da referida instituição aconselhou ao jovem a crescer para ter personalidade própria e só assim terá o cabelo comprido.


O cabelo integra a construção da identidade das pessoas, porque é moldura do rosto e referência de saúde, idade, religião, etnia e hereditariedade. Ele pode despertar preconceitos, porque a sociedade define rígidos padrões vinculados à cor, à textura, ao comprimento e ao penteado, menosprezando quem não se ajusta aos seus parâmetros ou não pode cobrir os custos de tratamento em ampla rede de serviços. Há avaliação negativa de quem não segue a moda ou obedece a preceitos religiosos, como as mulheres muçulmanas, sempre cobertas por espessos véus, ou as evangélicas de longos cabelos. Rejeitam-se os grisalhos, associando “cabeça branca” à caduquice, pois a velhice tem conotação negativa entre os brasileiros. Existem também as célebres anedotas quanto à capacidade intelectual das loiras, além da pressuposição de que madeixas flamejantes indicam “mulheres de vida fácil”.

As pessoas de cabelos crespos sofrem rejeição, sob a pecha de que têm “cabelo ruim” e de que não são bonitas; por isso, a indústria de cosméticos não se empenhava no oferecimento de produtos ajustados a essa textura, penalizando mais as mulheres, que mantêm corte maior.



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Esta petição foi criada em 18 fevereiro 2021
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