Libertem as Crianças- (ensino presencial o antes possível)
Para: Todos os intervenientes educativos e políticos
Esta petição não assenta em nenhum pressoposto negacionista da crise pandémica que estamos a viver. É uma crise grave, que exige medidas excepcionais.
Apesar das compreensíveis preocupações de saúde pública, o racional da gestão desta crise não pode encobrir realidades preocupantes, nomeadamente a influência, muito nefasta, da ausência de aulas presenciais no desenvolvimento psicológico das crianças, principalmente nas mais pequenas.
Como psicoterapeuta infantil, há mais de 20 anos, venho por este meio alertar todos intervenientes educativos e politicos para a gravidade do prolongamento excessivo desta situação de aulas não presenciais. A questão central, a meu ver, não se coloca nas aquisições de conteúdos programáticos, prende-se com o desenvolvimento das aquisições de competências de relação/socialização.
Uma criança precisa de estímulos para se desenvolver, para ter vontade de crescer e aprender. É através do contacto com outras crianças, com algo externo ao seu ambiente familiar, que as crianças vivem os ímpetos de relação, enfrentam as frustrações inerentes às naturais interações. Um criança sem estímulos e exigências externas mirra, estagna no seu desenvolvimento humano.
O problema não é menor no acentuar da deterioração dos contextos familiares. Se as estruturas familiares já são muito precárias, imagine-se a dificuldade de ter que se lidar com crianças fechadas em pequenos espaços, sem a possibilidade de estas poderem extravasar toda a sua energia e vitalidade. Parece-me evidente que existe uma muito maior a probabilidade de violência familiar, e de uma muito mais significativa fragilização das estrturas familiares, já de si fragilizadas pelo desemprego e por situações de grave carência alimentar.
É importante, urgente, estabelecer um calendário de reinício do ensino presencial (com início no princípio de Março). Começando pelos ciclos escolares iniciais, de modo faseado. Não podemos privar as crianças daquilo de que nunca fomos privados, as crianças não têm voz que as represente, merecem que as libertemos o quanto antes deste jugo pesado a que estão submetidas.