Há Jovens a Desistir da Escola. Podemos Mudar Isso. Assine a petição por uma resposta preventiva ao insucesso escolar dos 12 aos 18 anos.
Para: Assembleia da República
A SublinhAbraços, Associação Educação para Vida Auto Sustentável e Saudável, solicita a assinatura de petição para levar ao parlamento a seguinte proposta curricular. Propõe uma resposta preventiva ao insucesso escolar nos jovens dos 12 ao 18 anos, consubstanciada no autoconhecimento e na identificação da sua área de estudo.
Esta proposta dirige-se a jovens entre os 12 e os 18 anos que, por diferentes razões, não encontram no modelo de ensino tradicional uma resposta adequada às suas características, necessidades e formas de aprender, podendo enfrentar situações de desmotivação, insucesso ou afastamento escolar.
Propomos uma resposta preventiva ao insucesso e ao abandono escolar através de um percurso educativo personalizado, no qual o jovem mantém a aprendizagem das diferentes áreas e disciplinas necessárias à sua formação académica, mas de forma orientada para as suas características, interesses, capacidades e projeto de vida.
O conhecimento académico será articulado com o autoconhecimento, o desenvolvimento pessoal, a experiência prática e a descoberta de diferentes áreas. Cada jovem será acompanhado de forma individualizada por professores, tutores, formadores e terapeutas, de acordo com as suas necessidades, contando também com o contributo da comunidade e dos seniores, através da partilha de experiências e saberes.
O objetivo é permitir que o jovem compreenda quem é, descubra as suas capacidades e interesses, reconheça as suas dificuldades, desenvolva competências, estabeleça metas e construa conscientemente o seu percurso académico e profissional.
O percurso educativo organiza-se em quatro etapas:
Ano Zero – Autoconhecimento, exploração e conceção: o jovem inicia um processo de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal, acompanhado por diferentes profissionais, enquanto explora três projetos distintos. Esta etapa permite-lhe experimentar diferentes áreas de conhecimento, atividades e formas de aprendizagem, começando a identificar os seus interesses, capacidades, potencialidades e possíveis caminhos para o futuro.
Ano Um – Aprofundamento e concretização: a partir das experiências realizadas no Ano Zero, o jovem poderá dar continuidade a um dos projetos explorados, aprofundando os conhecimentos e competências relacionados com essa área. Ao mesmo tempo, continuará a desenvolver as aprendizagens académicas necessárias, de forma articulada com o seu percurso individual. O objetivo é aprender através da experiência, da investigação, da criatividade e da concretização de projetos, desenvolvendo autonomia, responsabilidade e capacidade de realização.
Ano Dois – Aprofundamento, novos projetos e intercâmbio de saberes: nesta etapa, o jovem poderá continuar a desenvolver um dos projetos anteriormente iniciado ou explorar, com maior profundidade, dois novos projetos. O percurso continuará a integrar a aprendizagem académica, o desenvolvimento pessoal e a experiência prática. Será também promovido o intercâmbio de saberes com a comunidade e, em particular, com os seniores, que poderão partilhar com os jovens as suas experiências de vida, desafios ultrapassados, conhecimentos adquiridos e conquistas. Esta relação entre gerações pretende valorizar a experiência, a escuta ativa, o respeito e a aprendizagem mútua. O jovem terá igualmente contacto com experiências de estágio na comunidade, permitindo-lhe conhecer diferentes realidades e áreas profissionais.
Ano Três – Reforço académico e preparação para o futuro: esta etapa será dedicada ao reforço e consolidação das aprendizagens académicas correspondentes aos três anos do ensino secundário – 10.º, 11.º e 12.º anos –, de acordo com o percurso e a área que o jovem pretende seguir. O objetivo é proporcionar a preparação necessária para a realização dos exames correspondentes e para que o jovem possa prosseguir o seu percurso, nomeadamente através do ingresso no ensino superior, ou optar por iniciar um percurso profissional e integrar o mundo do trabalho.
Ao longo dos quatro anos, o percurso será construído de forma individualizada, respeitando o ritmo, as características, os interesses e as capacidades de cada jovem. As diferentes disciplinas e áreas académicas serão trabalhadas em articulação com o seu percurso pessoal e com os objetivos que pretende alcançar, com o acompanhamento de professores, tutores, formadores e terapeutas.
Este modelo procura substituir uma lógica centrada na competição por uma cultura de cooperação, escuta ativa, respeito e desenvolvimento conjunto. Acreditamos que cada jovem possui um potencial próprio e que esse potencial pode desenvolver-se quando lhe são dadas condições para se conhecer, experimentar, errar, aprender, criar e definir metas para o seu futuro.
O conhecimento tem mais significado quando nasce do autoconhecimento.
Assim, esta proposta não pretende afastar o jovem da aprendizagem académica, mas aproximar o conhecimento da pessoa que aprende, criando um percurso que articula formação académica, autoconhecimento, desenvolvimento pessoal, experiência prática, intercâmbio geracional e preparação para a vida.
No final deste percurso, pretende-se que cada jovem esteja mais preparado e consciente das suas capacidades, conhecimentos e objetivos, podendo escolher, de forma acompanhada e responsável, o caminho que pretende seguir: prosseguir estudos e ingressar no ensino superior ou iniciar um percurso profissional e integrar o mundo do trabalho.
O propósito é que nenhum jovem seja definido pelo seu insucesso escolar ou limitado por um único modelo de aprendizagem, mas que tenha a oportunidade de descobrir o seu potencial, desenvolver competências, adquirir os conhecimentos necessários e construir, de forma consciente, autónoma e sustentável, o seu próprio projeto de vida.
No que se refere ao Sistema Nacional de Educação, o Decreto-Lei 139/2012, de 5 de julho (em vigor de acordo com o previsto no Artº 38.º do Decreto-Lei n.º 55/2018, de 6 de julho) estabelece a Organização e Gestão Curricular do Ensino Básico e Secundário, mencionando a importância da Estratégia Nacional de Educação para a Cidadania. A presente petição visa acrescentar valor ao Sistema Nacional de Ensino, através de uma proposta de currículo estruturada, tendo em vista a aquisição de competências no domínio do “autoconhecimento”, aquando da transição do ensino básico para o ensino secundário.
A pandemia veio suscitar a necessidade de desenvolver nos jovens competências de auto sustentabilidade, visando um estilo de vida autossustentavel, através de uma modalidade de educação/formação, cujo principal objetivo seria desenvolver a área de competências “Bem-Estar, Saúde e Ambiente” (segundo a classificação do Despacho n.º 6478/2017 de 26 julho, Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória, publicado no Diário da República, 2ª série, nº143).
Acreditando que tudo isto seja possível utilizando o conhecimento intergeracional da comunidade, o Jovem no seu aprendizado em conjunto com a comunidade irá adquirir competências que desenvolverá, preferencialmente, na sua área de residência.
Em conclusão, a presente petição visa não só promover uma atitude equilibrada e saudável (física, emocional e psicológica), dentro do ensino/formação contribuindo para cultivar hortas biológicas e motivar o jovem a acrescentar valor ao meio ambiente, às alterações climáticas e valorizar os recursos.
Relativamente ao Sistema Nacional de Qualificações, segundo o Decreto-Lei n.º 396/2007, de 31 de dezembro, alterado pelo Decreto-Lei n.º 14/2017, de 26 de janeiro, sugere-se que a modalidade de educação/formação aqui proposta, seja uma condição de frequência alternativa ao ensino tradicional, antes do ingresso em qualquer modalidade de formação de dupla certificação ou mesmo (Cursos de Educação e Formação, Cursos de Aprendizagem, Cursos Profissionais, Cursos de Educação Tecnológica e Cursos de Educação Artística). Consequentemente, os jovens, para além das competências específicas apresentadas no Catálogo Nacional de Qualificações, serão dotados de competências que complementam as anteriores.
A sua assinatura pode transformar o futuro de milhares de jovens.
Esta petição é um apelo à construção de uma resposta preventiva ao insucesso escolar, para que nenhum jovem entre os 12 e os 18 anos seja deixado para trás.
Cada assinatura dá mais força a esta causa.
Com mais de 1.000 assinaturas, os peticionários têm o direito de ser ouvidos pela comissão parlamentar competente.
Com mais de 2.500 assinaturas, a petição é obrigatoriamente debatida na comissão parlamentar.
Com mais de 7.500 assinaturas, a petição é obrigatoriamente apreciada em Plenário da Assembleia da República, onde poderá ser debatida por todos os grupos parlamentares.
É por isso que precisamos do seu apoio.
Assine esta petição e partilhe-a com familiares, amigos, colegas e toda a sua rede de contactos.
Juntos podemos levar esta proposta à Assembleia da República e contribuir para a construção de um sistema educativo mais inclusivo, preventivo e adaptado às necessidades dos nossos jovens.
Porque prevenir o insucesso escolar é investir no futuro de Portugal.