Inclusão dos Trabalhadores de Atividades Funerárias e conexas nos Grupos Prioritários do Plano de Vacinação contra a COVID-19
Para: Assembleia da República; Membros da Task Force para a Elaboração do Plano de Vacinação contra a COVID-19 - Francisco Ramos Almirante Henrique Gouveia e Melo (representante do Ministério da Defesa Nacional), José Gamito Carrilho (representante do Ministério da Administração Interna Representante do SIS), Valter Fonseca (representante da Direção Geral da Saúde), António Faria Vaz (representante do INFARMED, IP)
Somos juntos de Vós, a apelar que sejam reavaliados os critérios do Plano de Vacinação contra a COVID-19 e cujo crivo passa por V. Exas. É com grande apreensão e tristeza que, mais uma vez, uma profissão como a Nossa e que tem o papel fundamental junto da sociedade ficou esquecida. Neste momento, sentimo-nos abandonados, menosprezados e esquecidos, uma vez que, não fomos contemplados em momento algum no Plano de Vacinação elaborado por V. Exas.
Assim, o Nosso trabalho contempla contato direto com os mesmos riscos e estamos expostos, muitas das vezes até como uma exposição mais acentuada que alguns dos grupos que foram por Vós incluídos neste dito Plano. Lidamos com todo o tipo de pessoas, algumas delas fora do contexto hospitalar, uma vez que, alguns dos óbitos ocorrem em ambiente domiciliário, sem deixar-mos nunca de cumprir o nosso trabalho com todo o respeito, zelo e diligência.
Todavia, neste momento e no cumprimento das nossas funções somos, claramente, um grupo que se encontra com elevada exposição, bem como, e apesar de todas as medidas que tivemos que adotar no que atenta à nossa segurança e à segurança de quem nos rodeia, as mesmas não são suficientes, sendo que, somos possíveis veículos de transmissão do vírus.
Na senda do que vem sendo exposto, cabe-nos informar que existem já vários colegas que se encontram contaminados, sendo que o contágio aconteceu no âmbito e no exercício das suas funções e por isso, consideramos que esta devia de ser uma situação reavaliada por V. Exas.
Face ao supra mencionado, recordamos que nos encontramos no terreno e, ainda que, no “fim da linha” não é justo sermos esquecidos, uma vez que, apenas queremos continuar a desempenhar as nossas funções dentro do melhor que o contexto pandémico nos permite, evitando a todo o custo a propagação desnecessária deste vírus para quem nos rodeia e com quem lidamos todos os dias, sejam eles, as nossas famílias, as famílias de quem nos procura, as pessoas com quem neste trabalho temos que manter obrigatoriamente contato.
Assim, apelamos a que esta situação seja revista para que possamos continuar a trabalhar em segurança e com este apoio, pois só assim, conseguiremos manter-nos aptos a funcionar com a responsabilidade e profissionalismo com que temos tentado sempre pautar todos os nossos serviços, apesar do contexto atual.
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