Política como disciplina no Ensino
Para: Assembleia da República
Exmos Senhores,
Como todos sabemos, nas Presidenciais do ano corrente, obteve-se uma taxa de abstenção superior a 60%. Do nosso ponto de vista é inadmissível e totalmente apartado da democracia. Não é saudável que uma porção do povo decida o futuro de todos. Precisamos que discutam urgentemente este assunto em Assembleia Geral. Precisamos que ajudem Portugal pois, continuando neste caminho da ignorância face aos resultados obtidos nesta e muitas outras eleições passadas, a maioria do povo nunca reconhecerá autoridade ou terá respeito pelos Governos formados. Além disso, forças políticas perigosas para a nossa democracia ganharão poder devido aos seus militantes fiéis que, embora poucos na sua génese, demonstrar-se-ão presentes contra uma população que no fundo não quer que essas forças singrem mas também não luta contra elas. Porque é que não luta? Talvez tenha uma explicação, se não se importarem de ouvir o que tenho para dizer.
Abstenção nas Eleições para a Assembleia Geral:
2019 - 51,5%
2015 - 44,1%
2011 - 41,9%
2009 - 40,3%
Nas Eleições para o Parlamento Europeu:
2019 - 69,3%
2014 - 66,2%
2009 - 63,2%
2004 - 61,3%
Nas Eleições Presidenciais:
2021 - Por auferir, no entanto acima de 60%
2016 - 51,3%
2011 - 53,5%
2006 - 38,5%
2001 - 50%
Meus Senhores, estes dados estão presentes no PORDATA, base de dados de estatísticas oficiais e demonstra claramente um desinteresse político por parte da nossa população. Estudando estes dados e os de anos anteriores chegámos à conclusão de que a importância do voto eleitoral não foi transmitido de geração em geração, culminando na atual situação em que, por pouco, não se teria uma segunda volta nas presidenciais devido à ignorância da população na escolha para nosso Presidente da República, nossa representação política no Mundo. Para nós, é imperativo que a população vote. Mas em quem? - nos perguntam - Ninguém dali se aproveita, não vale a pena votar - nos afirmam.
Estamos cientes de que os jovens, em geral, não ligam à Política. Não querem saber dos Partidos, de quem tem o poder, de quem define as regras. Esta geração e as gerações seguintes crescerão sem partido, sem caminho. Governos não conseguirão se formar, ou pior, governos ditatoriais se levantarão e muitas pessoas se arrependerão de não terem feito nada na altura para os impedir. É o vosso desejo que a Abstenção atinja níveis inéditos que impeçam a formação de Governos e a eleição de Presidentes?
Porque é que os jovens não se interessam por política e exercem o seu direito ao voto? Podemos atribuir parte da culpa aos seus ascendentes que foram deixando de incutir os valores democráticos de uma nação, o porquê da nossa opinião ser importante e que, embora singularmente não possamos lutar contra um sistema, juntos somos capazes de enfrentar um mundo.
Porém, a maior responsabilidade por esta situação deve-se ao facto do Governo não incentivar eficientemente os jovens e aqui vem a nossa proposta:
Introduzam a Política como uma disciplina curricular no Ensino.
Poderão tornar este tema Obrigatório ou Opcional no ensino dos nossos jovens. Mesmo se tornando uma disciplina Opcional, alguns jovens a seguirão e terão uma melhor noção de como funciona o nosso país e o que poderão fazer quando ansiarem por mudança, o que levará no futuro a uma maior participação do povo. Poderão iniciar a disciplina em qualquer estágio educativo, embora, dada a complexidade do tema, sugerimos que assim seja a partir do Ensino Secundário ou, no máximo, no 3º Ciclo do Ensino Básico. Um jovem sairá do Secundário com a maioridade efetivada (ou perto disso) e saberá perfeitamente o que é a Política e o que esta representa.
O nosso povo e, principalmente os nossos jovens, devem ter noções de:
- O funcionamento da Assembleia Geral
- Os diferentes Partidos de Esquerda e Direita
- A Constituição
- Procedimento de Eleições
- A Importância do Voto
- Diferença entre Voto em Branco e Abstenção
- A plataforma Petição Pública
Deixamos também a sugestão de que sejam exibidos nos principais órgãos televisivos explicações acerca dos diversos temas acima mencionados, de forma a educar naturalmente e espontaneamente a população em geral.
Se não conseguem fazer com que a população atual se interesse por vocês e vos apoie, ao menos façam com que as próximas gerações mudem a maneira como vemos a nossa nação e ajam em prol dela.
Cumprimentos.