Proteção da Criança em época de confinamento nacional
Para: Exmo Senhor Presidente da República
Na qualidade de mãe e encarregada de educação, perante a situação atual e a calamidade evidenciada, venho pelo presente meio solicitar que considere agregar as crianças em idade escolar no direito de recolhimento obrigatório.
Enquanto cidadã responsável, reconheço que a escola é o meio seguro, essencial à alfabetização e ao correto desenvolvimento da criança. É no ambiente escola que a criança tem a oportunidade de desenvolver competências, trabalho de equipa e mesmo de defesa perante rivalidades normais no processo de desenvolvimento. No entanto, perante o estado de sitio que o nosso país está a atravessar, torna-se evidente que expor a criança ao convívio e interação sociocultural, nesta fase, não constitui uma mais valia, antes é exposição desnecessária ao perigo evidente. Não lhe escrevo na qualidade de uma mãe preocupada, inquieta, amedrontada, mas, na qualidade de uma mãe que tem consciência do dever de proteger a sua descendência e vê o seu poder ser anulado por diretrizes politicas. Não lhe venho expor a minha opinião pessoal. De fato, não compreendo qual é o sentido de expor as crianças diariamente ao convívio em massa enquanto o país tem o dever de recolhimento obrigatório. No entanto, não é a minha opinião que está em causa. Sou mãe de três crianças, uma delas é um bebé com menos de 1 ano de vida. Caso eu fique doente, não tenho familiares para assegurar os cuidados dos meus filhos. Creio que as minhas preocupações não são só minhas, mas de muitos agregados familiares. Por todos nós, peço-lhe que considere manter as crianças à menor exposição possível por um curto período de tempo ou pelo menos, permita que seja possível aos pais justificar a ausência dos seus filhos na escola e chegar a acordo com os professores para trabalharmos em equipa e em conjunto o desenvolvimento das nossas crianças. Neste momento os pais estão a ser ameaçados pela direção do agrupamento escolar de serem acionados para a CPCJ. Quando o que está em causa é exatamente a proteção da criança e das suas famílias, em momento algum se pretende a privação do desenvolvimento da criança.