Carlos do Carmo
Para: Assembleia da República ; Presidente da República
A lei prevê que as “honras do Panteão” se destinam “a homenagear e a perpetuar a memória dos cidadãos portugueses que se distinguiram por serviços prestados ao país, no exercício de altos cargos públicos, altos serviços militares, na expansão da cultura portuguesa, na criação literária, científica e artística ou na defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e da causa da liberdade”.
Como se sabe, a nosso ver, o Eusébio está erroneamente no Panteão Nacional, prestou algum serviço ao país? Prestou sim, na altura em que António de Oliveira Salazar era Presidente da República. Exerceu uma alto cargo público? Sim, era o menino de ouro de António de Oliveira Salazar e isso no Estado Novo era honra. Exerceu altos serviços militares? Talvez quando dava uma coça a um prato de tremoços. Expandiu a cultura portuguesa? Sim, da Província Ultramarina de Moçambique (à altura do Estado Novo, estado de ditadura, não preza o Panteão aqueles que defenderam a liberdade? O colonialismo é uma forma extrema de violência para com os colonizados, a supremacia branca que aconteceu em Portugal, torna este princípio uma contradição.) Criação literária? Artística? Não, lexical sim. Científica? Sim, descobriu uma nova espécie de decápodes, o tremoço. Defesa dos valores da civilização? Sim, do Benfica. Defesa da liberdade? Sim, do Benfica. Se calhar, o Eusébio merece estar no Panteão por ter sido uma vítima do Estado Novo e não mais. Mas isso faz com que outros merecedores de lugar de descanso definitivo no Panteão sejam postos de parte, por puro populismo.
O objectivo desta petição é que o Carlos do Carmo seja transladado para o Panteão ontem! Ele obedece a todos os requisitos, além de que, foi graças a Carmo que o fado deixou de ser portador do estigma da ditadura. Ele elevou o fado à busca da liberdade de Abril. Foi condecorado com a medalha de mérito cultural pelo “inestimável contributo” para a música portuguesa. Graças a Carmo o fado é agora património mundial da UNESCO.
Não é óbvio que merece jazer em paz no Panteão junto de outros ilustres?