A Alameda dos Oceanos (Expo 98) não serve para tráfego de atravessamento
Para: Junta de Freguesia do Parque das Nações, Câmara Municipal de Lisboa
O tráfego de atravessamento na Alameda dos Oceanos é mau para os que aqui vivem, trabalham, estudam e passeiam. A Alameda dos Oceanos não é para tráfego de atravessamento, é para pessoas
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Exmo. Sr. Presidente da Câmara Municipal de Lisboa,
Exmo. Sr. Presidente da Junta de Freguesia do Parque das Nações,
O recinto da Expo 98 deve ser preservado enquanto espaço de excelência para as pessoas e isso é incompatível com o tráfego automóvel de atravessamento. O tráfego automóvel excessivo estraga a vida dos bairros porque restringe a liberdade dos vulneráveis de circularem livremente nas nossas ruas e causa poluição e ruído sobre todos. O tráfego de atravessamento no interior dos bairros onde as pessoas vivem e trabalham tem de acabar.
O século XX foi marcado pela emergência do uso automóvel, mas a dedicação do espaço urbano para o seu uso foi em muitos casos longe demais porque transformou as ruas em locais essencialmente para carros e expulsou da rua as crianças, adultos, séniores que dela usufruíam. Corrigir essa degradação do espaço público já é suficientemente difícil - porque apesar do automóvel causar impactos negativos múltiplos na vida urbana, não é fácil transformar os hábitos enraizados do seu uso no interior da cidade - mas o que é incompreensível são regressões inconsequentes e degradantes como aquela que aconteceu com a (re)abertura do troço central da Alameda dos Oceanos ao tráfego de atravessamento, anunciado a 20 de Novembro nas redes sociais da Junta de Freguesia do Parque das Nações.
Esta medida comporta tantos impactos negativos que é difícil compreender a insistência na sua realização:
- Degrada o espaço do troço central da Alameda dos Oceanos, recinto da Expo 98, através de um ruído e poluição permanentes e conflitos com peões. Os anos em que esta Alameda voltou a deixar de ter tráfego de atravessamento foram anos de recuperação da sua vitalidade e uso pelas pessoas, facto que agora voltará a regredir pela presença constante do tráfego.
- Atrai ainda mais tráfego de atravessamento para os troços norte e sul da Alameda dos Oceanos, que entre muitas outras coisas inclui caminhos estruturantes para as escolas aqui existentes. É exigível para a boa vivência do bairro por residentes e trabalhadores, por crianças e reformados, por visitantes e pessoas de mobilidade reduzida, que o atravessamento automóvel se faça exclusivamente nas vias desenhadas para esse efeito, ou seja, a Av. Infante D. Henrique e a Av. D. João II. Incrementar o tráfego de atravessamento dentro destes bairros agrava ainda mais a perigosa barreira que é a Alameda dos Oceanos para o seu atravessamento por crianças, idosos e outros indivíduos com capacidades cognitivas reduzidas.
Manifestamos por este meio o nosso descontentamento com esta medida regressiva, ao mesmo que tempo que lamentamos o facto de as velocidades e nível de tráfego de atravessamento na Alameda dos Oceanos permanecerem essencialmente iguais ao passado. Os pais continuam a ter medo de deixar as crianças ir para a escola a pé. Os idosos continuam a ter receio de atravessar a Alameda dos Oceanos. O nível de poluição e ruído dentro dos nossos bairros permanece. Precisamos de mais liberdade para todos se deslocarem em segurança e vivenciarem a sua rua em paz.
A abertura da Alameda dos Oceanos ao tráfego de atravessamento corresponde ao contrário do que é necessário fazer para melhorarmos a qualidade de vida, a liberdade e a segurança neste local com a importância histórica que a Expo 98 lhe confere e em toda a extensão do Parque das Nações.
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