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Remoção de monumentos pró-escravagistas e coloniais em Cabo Verde

Para: Presidente da Assembleia Nacional de Cabo Verde

Exmo. Sr. Presidente da Assembleia Nacional de Cabo Verde, Jorge Santos,


Assunto: Remoção de monumentos pró-escravagistas e coloniais em Cabo Verde

Passado:
O monumento em ferro fundido do navegador português Diogo Gomes (1420-1500), obra do escultor português Joaquim Correia, erguido em 1956 - durante a ocupação colonial - está localizado no bonito e romântico miradouro, no planalto da capital do País. A maioria dos cabo-verdianos conhece e aprecia a obra, mas desconhece alguns dados históricos e feitos do homenageado.

Enviado pelo Infante Dom Henrique,Diogo Gomes participou da invasão de 1445, liderada pelo comerciante de escravos Lançarote de Freitas, na ilha de Arguin, na costa da Mauritânia.Esta ilha era uma feitoria Portuguesa.Uma fortaleza de comércio e “exportação” de escravos, a partir de onde eram enviados cerca de 800 escravos por ano para Portugal (Lagos).

Ora, o nosso grande Diogo Gomes descreveu assim, na primeira pessoa, uma das suas capturas de escravos em Arguin:
"Apanhei vinte e duas pessoas que dormiam, as conduzi como se fossem gado em direção aos barcos. E todos fizemos o mesmo, capturámos naquele dia quase seiscentas e cinquenta pessoas e voltámos para Portugal, para Lagos, no Algarve , onde estava o Infante D. Henrique que se alegrou conosco.” in The Slave Trade: The Story of the Atlantic Slave Trade: 1440-1870 por Hugh Thomas.

Presente:
Estamos a viver um período histórico de contestação racial, onde o sofrimento causado por estes comerciantes de seres humanos negros, remexem feridas profundas de traumas vividos, discriminação e injustiça que ainda sofremos.

Como tal, não podemos mais homenagear pessoas nem sistemas baseados na compra e venda de seres humanos, logo Cabo Verde e os cabo-verdianos têm de dar o exemplo.
Internacionalmente, temos assistido a remoções - forçadas ou oficiais - de estátuas ou bustos de escravagistas e genocidas como Edward Colston (UK - Bristol), Cristóvão Colombo (EUA - Los Angeles), Robert E. Lee (EUA - Virgínia), Rei Leopoldo II (Bélgica), Victor Schoelcher (França -Martinica) entre outros.

Assim, tendo feito o devido enquadramento histórico e na qualidade de cidadão cabo-verdiano, venho por este meio, solicitar a Vossa Excia. que se julgar competente na matéria, que ordene a retirada imediata da estátua de Diogo Gomes sita no Plateau, mesmo nas imediações do Palácio da Presidência, bem como os bustos/estátuas de exploradores coloniais como Alexandre Albuquerque (Plateau), Serpa Pinto(Fogo), Sá da Bandeira, Diogo Afonso e Sá da Bandeira em São Vicente (Mindelo).

Sugiro que a estátua de Diogo Gomes seja substituída pela estátua de Amílcar Cabral – que foi o arquiteto da nossa independência - que infelizmente está muito solitária na Várzea, apesar deste ter sido o local da proclamação da Independência de Cabo Verde.

Jean de La Bruyere, o escritor e moralista francês vai ainda mais longe:
“Não construas estátuas aos vossos heróis, é melhor erguer estátuas ás vossas vítimas.“

A retirada destes monumentos poderá causar nostalgia, devido ao seu valor “histórico-cultural”, mas se tivemos coragem e bravura para sermos independentes,para mudar a bandeira, a moeda e o hino nacional, também o seremos para retirar estes monumentos.

De qualquer forma, não é unânime a informação de que tenha sido Diogo Gomes o pioneiro no descobrimento do arquipélago de Cabo Verde.É sabido que a primeira expedição europeia a chegar ao arquipélago(Santiago e Boa vista) foi a do veneziano Alvise Cadamosto (1456), tendo sido este que alegadamente atribuiu os nomes a estas ilhas.

Paralelamente,solicito aos compatriotas cabo-verdianos, que subscrevam esta petição pública, para este efeito, que será dirigida ao Presidente da Assembleia Nacional, conforme o artigo 2º do Regime Jurídico do Exercício do Direito de Petição Lei n.º 33/IV/97, para que a mesma seja debatida em plenário.

Futuro:
Diogo Gomes, era um navegador que também traficava escravos em part-time,logo não pode ser celebrado nem idolatrado.
Durante o nosso tempo, devemos dar o nosso contributo para a construção identitária das jovens gerações.
Devemos também, sempre que possível, corrigir a História no tempo, local e espaço, de modo a deixarmos às próximas gerações um legado que seja o mais correcto e imáculo possível.

Cordialmente,

Gilson Varela Lopes



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